Comunidade
Incertezas voltaram a rondar ontem (9) a votação pela Câmara da polêmica emenda que altera as regras de distribuição dos royalties do petróleo.
O destaque, apresentado ao projeto de lei que institui o regime de partilha na exploração da camada pré-sal, tem votação prevista nesta quarta-feira (10).
Apresentada pelos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e Humberto Souto (PPS-MG), a emenda propõe, com exceção da parte da União, que os royalties e participações especiais sejam rateados entre todos os Estados (50%) e municípios (50%) do Brasil, nos critérios do fundo de participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM).
Nessa equação, Rio de Janeiro e Espírito Santo - hoje os maiores produtores brasileiros da commodity - levariam aos seus caixas muito menos do que argumentam ter direito. Por isso, a proposta gerou uma disputa entre Estados e municípios produtores e não-produtores.
Nesta terça-feira, alguns líderes partidários sugeriram que uma emenda aglutinativa fosse apresentada a fim de construir um texto que gerasse um acordo. Por enquanto, entretanto, a ideia não prosperou.
O líder do governo na Casa, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou que não apoiará a iniciativa. "Eu não patrocino nenhuma emenda aglutinativa. Patrocino o relatório do Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN)", destacou.
Vaccarezza já admitiu que há o risco de a emenda de Ibsen e Souto ser aprovada, mesmo contrariando a determinação do Palácio do Planalto e os protestos dos Estados produtores.
Influente parlamentar da bancada fluminense, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) desdenhou da proposta.
"Não há acordo. Prefiro que vote logo essa emenda do Ibsen, porque o presidente Lula vai vetar", comentou.
Líder do PR na Casa, o deputado Sandro Mabel (GO) contou que haverá uma reunião entre parlamentares e prefeitos antes da votação.
Na ocasião, adiantou, será dito que há risco de a emenda de Ibsen Pinheiro e Humberto Souto ser vetada por Lula ou gerar uma disputa judicial entre as unidades da federação.
Por outro lado, argumenta Mabel, o benefício estaria assegurado com a aprovação do relatório de Alves.
O clima pré-eleitoral dificulta o debate. "É o certo pelo duvidoso, mas a gente quer deixar nas mãos deles (prefeitos). Eu vou votar com os prefeitos", disse Mabel.
"Não há espaço para uma aglutinativa, a não ser que seja construída de última hora", acrescentou.
Para o líder do PSDB, João Almeida (BA), os interesses locais serão mais fortes do que a orientação dos partidos. "A turma está de rédea solta. Cada um está pensando no interesse do seu Estado."
A proposta que trata do regime de partilha é o único dos quatro projetos do novo marco regulatório do setor com votação ainda por se concluir na Câmara.
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