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Ricardo Galuppo

Uma questão de bom senso

10/03/10 07:14 | Ricardo Galuppo - Diretor de Redação do Brasil Econômico



Antes de mais nada, convém não esquecer que os Estados Unidos são e continuarão sendo por um bom tempo os maiores parceiros comerciais do Brasil, com quem mantiveram um comércio bilateral superior a US$ 43 bilhões em 2009.

Isso, no entanto, não é razão suficiente para supor que o Brasil deva se abster de aplicar as retaliações autorizadas pela Organização Mundial do Comércio após constatar o subsídio gordo concedido pelo governo americano aos produtores locais de algodão.

O Brasil deve usá-las, sim, como ferramenta de pressão na busca de uma solução que atenda seus interesses. O assunto é sério e merece ser conduzido com zelo. Afinal, um passo em falso pode azedar as relações entre os dois países e transformar o trunfo da vitória na OMC em uma derrota de dimensões continentais.

Diante disso, a melhor providência que o governo tomou foi confiar a negociação do problema à ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, e a seu colega Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Pelo menos assim, o país pode ter a certeza de que a questão será conduzida sem paixões e sem birras ideológicas.

O objetivo que Dilma (com a atenção fixa nas urnas de outubro) e Miguel Jorge perseguirão não será o de aplicar as retaliações - mas o de conseguir uma boa compensação pela prática imoral do governo dos Estados Unidos.

Se a missão estivesse nas mãos do Itamaraty e dos responsáveis pela diplomacia comercial brasileira, a derrota seria certa e o Brasil nada conseguiria além de desgaste.

Se existe uma área coerente no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a da diplomacia: não marcou, ao longo desses sete anos, um único ponto a favor do Brasil.

Perdeu para a Bolívia a disputa em torno do preço do gás, perdeu todas as quedas de braço comerciais com a Argentina, se meteu em uma enrascada ao abrigar o presidente deposto Manoel Zelaya, em Honduras, e deu mais um monte de passos em falso.

Com Dilma e Miguel Jorge à frente da questão, a chance de uma boa saída é real.

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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico


Comentários

Serginho Viana, Belo Horizone | 10/03/10 11:02
Ricardo,
Estou com você.
Parabéns.
Sergio Viana


Marcelo Sommer, Piriápolis | 10/03/10 23:50
Verdade. Os emergentes sao parceiros para daqui um século. A China vai levar mais de 60 anos para ter o peso dos EUA hoje - se continuar crescendo 10% e os EUA estagnarem... A diplomacia brasleira, realmente dá mostra de que as coisas mudam.


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