Mesmo com as ameaças que pairam sobre algumas economias europeias, retoma-se no Brasil o movimento de fusões e aquisições que tinha recuado durante a crise.
Cresceu, no primeiro semestre, o número de processos dessas operações, envolvendo particularmente pequenas e médias empresas.
Segundo analistas de mercado, o movimento deve continuar no segundo semestre. O crescimento de fusões e aquisições pode diminuir o volume de oportunidades de trabalho, principalmente nos cargos de gerência e alta direção, mas este é o momento de se criar atalhos estratégicos e profissionalizar ainda mais o processo de aproximação entre o candidato e o mercado que irá recontratá-lo.
Fusões entre empresas somente fazem sentido quando a soma dos recursos de cada lado leva a uma racionalização benéfica e mútua.
Ou seja, quando a união das fábricas ou equipes ou linhas de produto levam a uma maior fortaleza estratégica, competitividade ou maior capacidade de internacionalização do que existia individualmente, antes da fusão.
Essa racionalização inclui custos de remuneração dos talentos gerenciais e de direção. Portanto, demissões são conseqüências naturais nas fusões, e as melhores empresas sentem a obrigação de ajudar esses talentos em suas transições para outros empregadores: foram executivos que muito contribuíram com as organizações.
O cenário de fusões e aquisições representa crise ou oportunidades para o profissional competitivo? A profissionalização do mercado de trabalho é parte do processo de amadurecimento da economia de um país.
A economia brasileira está cada vez mais preparada para crescer, há mais crédito, mais exportação, mais planos de investimentos em bens de capital e infraestrutura.
Na mesma medida em que as empresas precisam de profissionais mais arrojados, com formação sólida e altíssima capacidade técnica e comportamental, a aproximação entre eles e o mercado de trabalho está cada vez mais profissionalizada.
Consultorias atuam com seriedade, abrangência mundial e reputação para, técnica e profissionalmente, vencerem os canais tradicionais, que ainda funcionam, mas estão congestionados.
Essas consultorias se utilizam de ferramentas consagradas mundialmente e estão disponíveis para assessorar as grandes empresas, que desejam contribuir para que seus executivos demitidos retornem ao mercado, muitas vezes em condições melhores de remuneração, desafio e potencial de crescimento.
Com o crescimento da economia, cresce o segmento de recrutamento. Mas, com as fusões e aquisições, também aumenta o mercado de transição de carreira (outplacement).
As consultorias especializadas estão preparadas para enfrentar esse cenário, tanto pelas taxas de sucesso que ostentam, como pelas ferramentas tecnológicas que utilizam na gestão de capital humano e carreiras e pelos canais de relacionamento que criam.
A aproximação entre o melhor talento e a melhor e mais adequada nova oportunidade profissional é uma atividade técnica, profissionalizada, amadurecida e preparada para o crescimento da economia do Brasil e do mundo.
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Marcelo Mariaca é presidente do conselho de sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School
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Seria interessante analisar a consequência das aquisições mal sucedidas como foi o caso da Cimpor, onde a CSN fez um papel tristonho enquanto a Camargo e a Votorantim assumiram posições de relevo mas deixaram a empresa no mesmo impasse de antes, uma estrutura accionista que não se entende e nem quer entender-se. O que mais cedo ou mais tarde vai acabar por levar a destruição de valor da empresa