Em um país como o nosso, quando se fala em enxugar a máquina pública, independentemente do que enxugar, o motivo, por si só, deveria ser de comemoração.
Extinguir o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), bem ao contrário, caracterizaria erro histórico e estratégico sem precedentes, que atingiria o setor produtivo chamado pelo próprio governo de "o novo pré-sal brasileiro".
O enorme potencial produtivo e inexplorado, tanto da aquicultura quanto da pesca oceânica, que tradicionalmente foi ignorado pelas políticas públicas nacionais, só agora começa a ser identificado.
Transformar o MPA em mero setor do Ministério da Agricultura significaria atrofiar, ainda na própria casca, o pinto que viria a se tornar a galinha dos ovos de ouro.
Em recente relatório, a ONU divulgou estudos que demonstram que até 2050 precisaremos dobrar a atual produção mundial de peixes e frutos do mar, para dar conta da demanda humana por proteína saudável e de boa qualidade, e que a única fonte potencialmente capaz de atender a essa necessidade seria a aquicultura.
Passa pela cabeça de alguém que a ala política que conspira por baixo dos panos a favor da extinção do MPA esteja preocupada com o potencial da aquicultura nacional e sua importância econômico-estratégica para o nosso país?
A simples habilitação de um novo parque aquícola para criação de peixe envolve uma complexidade enorme de fatores técnicos e naturais, a serem pesquisados, analisados, regulados, controlados e fiscalizados por um equipamento governamental necessariamente constituído com essa vocação.
E o país precisa demarcar, ainda, muitos novos parques, para equiparar sua produção de peixe em cativeiro com o volume gerado anualmente por países de grande tradição no setor.
Entre eles, os parques de Lajeado (TO), Boa esperança ( PI), Pentecostes (CE), Armando Ribeiro Gonçalves (RN), Coremas (PB), Balbina (AM), Samuel (RO), Itaparica (BA), Moxotó (PE), Xingó (AL), Manso (MT), Pedra e Sobradinho (BA), Rio de Janeiro (RJ), Calha Paranapanema (SP/PR), Ita (SC) e Machadinho (RS). Não há outra forma de atender à demanda nacional por mais e mais peixe.
Os que pleiteiam a extinção do MPA não estão preocupados com esses desafios. Não entendem de aquicultura e jamais subiram em um barco de pesca.
Talvez não saibam discernir uma tilápia de uma corvina nem gostem de peixe. Não sabem o que representaria um eventual desastre ecológico provocado por um vírus nocivo à fauna nativa em um parque de águas fechadas, como uma represa.
Mas, ainda que ignorem tudo isso, haverão de ser chamados pelos produtores brasileiros, nas próximas eleições, a explicar às populações desses estados por que se empenharam tanto em acabar com o ministério que tem como responsabilidade tirar esses projetos do papel e transformá-los em geração de riqueza e de novos postos de trabalho.
Antes, porém, terão de demover a presidente Dilma da decisão, recém-anunciada por ela, de manter um ministério considerado por Lula, seu criador, um de seus xodós...
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Luiz Valle é diretor executivo da Cavalo Marinho - Criação e Beneficiamento de Frutos do Mar
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Enxugar a máquina pública? Menos juízes, para os processos demorarem mais? Menos policiais? Menos médicos?
Nos países escandinavos, um terço da população é de funcionários públicos. No Brasil 11% da população é de funcionários públicos. E querem enxugar ainda mais?
Caro Luiz,
Enxugar o Estado quer dizer tudo, menos extinguir o MPA, certo? Sera que voce tambem e a favor de criar um Ministerio exclusivo para a Mineracao? E que tal criar um Ministerio do Suco de Laranja, do Frango ou da Cana-de-Acucar e Derivados? Afinal, todos esses setores e industrias necessitam do mesmo apoio que a pesca, mas ainda nao possuem Ministerios exclusivos. Alem do que todos tem um peso muito maior na economia do Pais, ainda que um peso muito menor na sua economia pessoal. Que tal?
Se existe o ministério da pesca porque não existir também o ministério do pecuária, o ministério da soja, o ministério do café... Hah!.. eles já existiram. Chamavam-se superintendências, comissões, institutos etc. Só serviam para acolher os "amigos" e comer o dinheiro do povo.
É impressionante que após tantos anos, tantos sacrifícios para modernizar a gestão do Estado, tantas idas e vindas, ainda se pense em ressuscitar dinossauros.
O ministério da pesca nunca serviu para nada, além de prover sinecuras aos "amigos" do partido. Já vai tarde!