"Acredito que a China já tenha terminado o seu ciclo de aperto monetário e agora deve trazer mais liquidez ao mercado", antevê David Fueller
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Embora a redução na taxa básica de juros europeia não vá trazer grande reforço para a economia local na luta contra a recessão, a receita de política monetária voltou à tona no combate à crise.
A euforia nas bolsas após o corte nos juros promovido pelo Banco Central Europeu nesta quinta-feira (3/11) sinaliza o quanto essa medida era esperada pelos mercados.
No entanto, a medida deve trazer poucas mudanças para o cenário atual.
Em sua primeira reunião na liderança do Banco Central Europeu (BCE), o economista italiano Mario Draghi surpreendeu ao contrariar todas as expectativas de mercado reduzindo a taxa básica de juros em 25 pontos-base, para 1,25% ao ano.
Para David Fuller, estrategista global da Stockcube, casa de pesquisa britânica, a ousadia de Draghi não passou de obrigação, uma vez que a medida já deveria ter sido adotada há muito tempo.
"Não há muito mais o que evitar. O atraso da medida deverá reduzir os seus efeitos sobre a economia europeia", afirmou ao Brasil Econômico.
Nesta semana, o Reserve Bank of Australia (banco central australiano, RBA) fez um corte de mesma magnitude em sua taxa básica, derrubando-a para 4,5%.
A decisão do país aponta que, mesmo entre os países que enfrentavam pressão de alta nos preços, a tendência é de redução dos juros.
Em dezembro e janeiro, o Banco da Tailândia iniciou uma trajetória de afrouxamento monetário, que resultou em uma redução na taxa de 1,75%, para 2%, o menor patamar em dois anos.
Em outubro, a Indonésia já aplicou uma redução de 0,25 ponto percentual, para 6,5%. "É uma tendência global", lembra Fuller.
A pergunta subsequente é evidente: e a China? Para Fuller, o fim do aperto monetário chinês está próximo, o que indica que a casa oriental seja uma das próximas a cortar sua taxa básica.
"Acredito que a China já tenha terminado o seu ciclo de aperto monetário e agora deve trazer mais liquidez ao mercado", antevê Fueller.
Posto que em 2008 a resposta chinesa à crise foi um "estímulo maciço" sobre a economia, a ideia é que esse movimento se repita.
"O que o Banco Central chinês deverá fazer é antecipar as decisões, antes que a economia se mostre enfraquecida. Isso é tudo que eles menos querem."
A especulação imobiliária e a alta nos preços dos alimentos teriam sido o principal fator para manutenção da taxa em altos níveis. Motivos que, para Fuller, não fazem mais sentido no cenário econômico atual.
A última vez que o Banco Popular da China (central) mexeu na taxa básica de juro foi em julho, quando subiu a referência de 6,31% para 6,56% para conter a inflação.
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