"O mercado está nessa tendência de alta por conta de recursos externos, mas isso está pressionando muito o dólar para baixo", afirma Dias
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Comunidade
Análise fundamentalista aponta para o viés de alta no índice, mas pressão na moeda americana pode levar governo a tomar decisões que atrapalhem o desempenho da bolsa. Construtoras se destacam.
O pregão de sexta-feira (27/1) encerrou aos 62.904 pontos, após cair 0,08% e interromper uma sucessão de oito altas.
A despeito do resultado negativo, o índice acumula ganhos de 10,84% no mês e, de acordo com a análise fundamentalista de Eduardo Dias, analista da Omar Camargo Corretora, deve continuar assim na próxima semana.
A única ressalva de Dias fica por conta da desvalorização do câmbio. "O mercado está nessa tendência de alta por conta de recursos externos, mas isso está pressionando muito o dólar para baixo. Se continuar, talvez o governo tome alguma medida e pode ser um tanto 'destrambelhada', que não preserve o mercado de capitais", afirma.
De acordo com o analista, o ideal seria a canalização do volume de recursos estrangeiros para a infraestrutura "e que esses recursos permanecessem aqui em longo prazo".
"O governo sinalizou que pretende preservar os mercados de capitais. Tanto que colocou IOF em renda fixa e não colocou em renda variável", diz Dias, na esperança de que o Ibovespa não sofra como no ano passado com medidas cambiais.
Entretanto, Dias afirma que é esperada alguma realização em algum dos próximos cinco pregões, mas há chances de o índice alcançar os 64 mil pontos na semana.
No cenário internacional, a notícia de que os credores privados da Grécia propuseram assumir 70% da dívida do país trouxe otimismo aos mercados
"O cenário nos Estados Unidos tem melhorado e os números da China não têm sido desastrosos, assim o mercado melhorou um pouco o humor. Acho que o sentimento é um pouco mais otimista."
Análise gráfica
Para o analista técnico Eduardo Matsura, da Souza Barros, o Ibovespa tem viés de alta e demonstra chances de romper a resistência de 64 mil pontos já na próxima semana. Se esse valor for alcançado, o índice passa a buscar os 70 mil pontos.
"Nessa semana já chegou a 63.800 pontos e houve uma primeira defesa da resistência. Como o viés é de alta há uma possibilidade grande do rompimento dessa barreira. Se observarmos o volume, há um posicionamento bastante agressivo na ponta compradora, que dá sustentação à alta", conta Matsura, que também vê a possibilidade de leve realização de lucros.
Destaques
Para a próxima semana, Eduardo Matsura avalia que o setor de construção civil ainda demonstra potencial para conquistar novas altas.
"Observamos que há um movimento saudável. Essa semana os índices do setor voltaram a subir e devem dar continuidade na semana que vem", afirma.
Outro setor que merece atenção, de acordo com o grafista, é o de siderurgia, em particular as ações preferenciais da Usiminas (USIM5), que encerrou o último pregão com valorização de 0,94%.
"Com a expectativa de queda maior nos juros, a BVMF3 é um papel que pode subir na semana que vem", afirma Matsura.
No mesmo sentido, Leandro Ruschel, também analista gráfico e sócio da Leandro & Stormer, vê viés de alta para a ação. "Ela está numa congestão desde dezembro do ano passado e existe um potencial de valorização de uns 15% no curto prazo, o que significa algumas semanas", afirma.
Na perspectiva de queda estão as ações da Hypermarcas (HYPE3), que já recuaram 3,93% no último pregão, a R$ 10,50. "O papel está se aproximando da área de suporte, de R$ 10,28", diz Matsura.
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