Para Priscila Gonsales, os educadores devem aproximar a sala de aula da sociedade, o que inclui a internet
Comunidade
Iniciativa diminui a evasão escolar, melhora notas e torna o aprendizado mais atraente e dinâmico.
Aula de educação física e o professor precisa ensinar teoria e prática de Base 4 (uma versão simplificada de beisebol) para uma turma da 8ª série de uma escola estadual. Em um país em que o futebol detém o maior foco, deixando algum espaço para o vôlei, a experiência poderia ter sido desastrosa.
Mas graças ao empenho do professor e da direção da escola, com o apoio de um projeto inovador, foi possível tornar o aprendizado divertido e, principalmente, eficiente.
Edson Nascimento dos Santos é professor de educação física da Escola Estadual Paulina Rosa, em Hortolândia (SP), e usa os netbooks e a rede de internet sem fios doados pelo projeto Aula Fundação Telefônica por meio do programa EducaRede em Pró-Menino - que atende escolas com alunos em situação de risco e trabalho infantil - para ensinar seus alunos.
Mais do que lecionar sua disciplina, ele conseguiu relacionar o tema com as aulas de português e matemática. Para isso, ele ensina o Base 4 na quadra esportiva e os alunos têm que registrar as regras em forma de texto, fotos ou desenhos. Com base nesse material, a professora de português mostra a forma correta de realizar os registros, de acordo com o tema que ela estiver trabalhando nas aulas, como narrativa ou descrição.
Santos verifica os textos para checar se não houve alteração nas regras do jogo ou má interpretação e volta a praticar a modalidade com seus alunos, que coletam dados de resultados e tempos de deslocamento para serem analisados na disciplina de matemática e transformados em gráficos durante as aulas.
"Minha maior dificuldade é adequar o currículo obrigatório da Secretaria de Educação de São Paulo às Tecnologias da Informação e Comunicação (Tics), pois temos uma grade muito amarrada", afirma Santos. A Secretaria não delimita a forma como o conteúdo deve ser aplicado, mas sugere o tipo de trabalho a ser feito. "Mas jamais deixei de usar as tecnologias por causa disso, é um caminho sem volta."
O professor de educação física também recorre às histórias em quadrinhos (feitas em um site), às fotos e aos filmes em stop motion (técnica de animação quadro a quadro) em suas aulas. Antes da chegada dos equipamentos doados pela Fundação Telefônica, Edinho - como é conhecido entre os alunos - já usava tecnologia em suas aulas com DVD e datashow.
"Sem os equipamentos fica inviável, por isso a parceria com o terceiro setor se torna tão importante."
O sucesso de seu trabalho em Hortolândia (SP) fez com que o professor se tornasse multiplicador das técnicas e atualmente Santos capacita outros professores que participam do projeto Aula Fundação Telefônica.
Projeto
O projeto Aula Fundação Telefônica está presente em 13 países e, em parceria com o programa Pró-Menino, combate o trabalho infantil em 36 escolas no estado de São Paulo. O projeto é uma das vertentes do Programa EducaRede, focado no uso de tecnologia e internet para o ensino. "É possível dar uma boa aula sem usar tecnologia, mas não é o que se espera de um educador", diz Priscila Gonsales, coordenadora executiva do Programa EducaRede.
O EducaRede constitui uma plataforma educacional na internet, que inclui grupo de estudos on-line, fórum de debates, TV na internet, entre outras ferramentas para auxiliar professores e alunos. O site já conta com 200 mil pessoas cadastradas, divididas quase que igualmente entre docentes e discentes.
O programa também usa redes sociais como o Twitter para troca de informações. "Criar um mundo à parte não faz o menor sentido. Um dos principais pensadores da educação, o professor Anísio Teixeira, dizia que a sociedade tem que estar ligada à escola", afirma Priscila.
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