Ipanema, a primeira aeronave do mundo certificada a voar com o mesmo combustível usado em automóveis
Comunidade
Empresa tem projeto com Azul e GE para adotar bioquerosene em jato comercial e visa repetir os bons resultados do Ipanema a álcool.
A decisão de investir em tecnologia limpa para o setor aéreo só tem trazido boas perspectivas para a Embraer.
Dois dos grandes projetos da empresa envolvendo o desenvolvimento de aviões com uso de combustível renovável vão de vento em popa: as vendas da versão a álcool do Ipanema atingiram 95% da comercialização deste avião e a companhia já tem parceiros para levar também para o mercado de jatos comerciais esses bons resultados a partir de 2012.
Neste ano, a Embraer espera vender 40 unidades da aeronave Ipanema, a primeira do mundo certificada a voar com o mesmo combustível usado nos automóveis.
A estimativa de venda da aeronave, que é, destinada ao mercado agrícola, é do gerente comercial da empresa, Fábio Bertold Carretto e segue uma lógica de crescimento. No ano passado, foram comercializados 34 desses aviões e, em 2008, 32.
Com ganho de 7% de potência no motor e redução de quase três vezes no gasto com combustível, a nova tecnologia chamou a atenção de todos os proprietários de Ipanema.
Por isso, foi grande a busca pela conversão dos motores e, hoje, as aeronaves que usam o etanol representam 25% da frota de mais de 1.100 aviões em circulação, segundo o diretor industrial da Embraer em Botucatu, Almir Borges.
"O desenvolvimento dessa tecnologia, que envolveu investimento de US$ 1 milhão, foi uma demanda dos clientes, que queriam reduzir custos e aumentar competitividade. E eles responderam bem à nossa oferta", completa o engenheiro comercial do Ipanema, Vicente Camargo.
Fora do Brasil, o Ipanema tem autorização para ser comercializado no Paraguai, na Argentina e no Uruguai. A questão é que, como o etanol só é vendido no Brasil, as aeronaves não podem ser abastecidas em outros países, salvo em caso de produtores das regiões de fronteira que conseguem vir ao Brasil com essa finalidade.
Voo e concorrência
Esse problema de abastecimento fora do Brasil, porém, pode não ser tão relevante para um projeto ainda maior que deverá decolar a partir de 2012.
Ele é fruto de uma parceria da Embraer - assinada no fim de 2008 por meio de um protocolo de intenções - com a produtora de motores GE, a companhia aérea Azul e a americana Amyris (que deverá disponibilizar bioquerosene de cana-de-açúcar a partir de 2014).
A expectativa é que, no início de 2012, esse querosene limpo seja usado num voo de demonstração de um E-Jet da Embraer da Azul Linhas Aéreas, que usa motores da GE.
No teste, um dos motores da aeronave vai funcionar com bioquerosene misturado a uma proporção de 20% a 50% ao querosene de aviação normal.
Neste aspecto, a brasileira Embraer entrará em outra grande concorrência mundial. Em fevereiro de 2008, a empresa aérea inglesa Virgin realizou um voo entre Londres e Amsterdã com 20% de óleo de babaçu misturado ao querosene de aviação.
Nos EUA, a Continental e a Boeing desenvolvem um projeto, para um voo previsto para 2011, de uso de biocombustível adicionado ao querosene tradicional.
O projeto da Embraer, porém, é o primeiro envolvendo o uso da cana-de-açúcar. E o Brasil tem a maior produção mundial de cana-de-açúcar, além da experiência na produção de etanol, que constitui uma importante etapa para o desenvolvimento do combustível renovável.
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Parabéns a Embraer. Sempre digo aos meus alunos pouco informados, quando me questionam sobre o que o Brasil exporta.
De modo quase geral, o povo ainda acha que o Brasil só exporta ou produz café e suco de laranja. Eu digo a eles com muito orgulho que nós brasileriros produzimos aviões, motores, navios etc...