Os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deverão manter a taxa básica de juros (Selic) em 8,75% ao ano durante a 146ª reunião do colegiado.
O encontro terá início nesta terça-feira (20). O resultado da reunião será divulgado amanhã (21).
Para todas as 18 instituições financeiras consultadas pelo Brasil Econômico On-line, o percentual será mantido pelo colegiado até 2010, quando a Selic deverá ser elevada pela primeira vez desde julho de 2008.
O motivo apontado pelos especialistas para que o Copom mantenha a Selic em seu atual patamar - pela segunda vez consecutiva - é a pressão inflacionária, intensificada pela recuperação da economia brasileira.
E como os reflexos das decisões do BC no fim de 2008 e início de 2009 estão sendo sentidos na economia brasileira agora, o mercado acredita que é melhor esperar antes de um novo passo, seja qual for a direção.
O boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, mostra que o mercado mantém a estimativa de Selic a 8,75% no final de 2009, mas as previsões para o final de 2010, que eram de 9,25% há quatro semanas e 10,25% na semana anterior, agora já chegam a 10,50% ao ano.
"Não existe nenhuma indicação de que haverá uma alteração na taxa básica de juros. Estamos vivendo um momento de recuperação econômica, mas ainda não voltamos ao patamar pré-crise", afirma Cristiano Souza, economista do Santander. De acordo com ele, o atual nível de inflação está sob controle, "mas o PIB e a produção industrial ainda deixam a desejar."
Desta forma, se houvesse uma elevação na taxa, diz Souza, a recuperação econômica seria contida, assim como se houvesse um novo corte seria possível que a inflação voltasse com mais força que o presumido, estimulando um novo aumento na Selic antes do previsto.
O economista-chefe da Votorantim Asset, Fernando Fix, acredita em uma "inflação contida" em 2010, de cerca de 4,10% (abaixo da meta do Banco Central, de 4,5%), o que torna desnecessária um elevação ou uma nova redução.
"Existem quatro fatores que contribuem para uma inflação em um patamar aceitável no ano que vem: o primeiro é que não há inércia para ser combatida com a inflação. Já o segundo é que o câmbio beneficia a importação, o que ajuda a manter os preços em um patamar aceitável", afirma.
De acordo com Fix, os preços administrados, que correspondem a cerca de 30% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deverão ficar em um patamar muito baixo, assim como o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), utilizado como base para o reajuste de tarifas públicas.
"O quarto motivo seria que a retomada da economia ainda está moderada, e um nível de atividade fraco contribui para a inflação baixa", completa.
Já Bráulio Borges, economista da LCA Consultores, é enfático ao afirmar que, na prática, o mercado não está ansioso em relação à decisão do Copom nesta reunião, mas sim em relação à ata, que deverá ser divulgada no fim da próxima semana.
"O mercado quer pistas sobre o que irá acontecer em 2010. Se existe unanimidade na opinião de que haverá manutenção, a divergência é muito grande sobre quando eles irão começar a elevar o percentual", observa.
A decisão do Copom será divulgada amanhã (21), logo após o fechamento do mercado.
Comentários
Últimas Notícias
- 10:08
Ações do Minerva entram em ponto de compra - 09:54
Preço ao consumidor chinês avança em janeiro - 09:40
IPC-S retrai nas sete capitais, aponta FGV - 09:36
Brasil Travel adia definição do preço de sua oferta inicial - 09:14
Confiança da construção desce 8,7% no trimestre - 09:02
Com melhores preços, lucro da Cosan cresce 142% - 08:51
Inflação em São Paulo cai para 0,42% na 1º semana de fevereiro









