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Marcelo Mariaca

Sobre líderes e chefes

27/02/10 07:11 | Marcelo Mariaca - Presidente da Mariaca



Muito se comenta sobre o papel integrador dos líderes dentro ou fora das empresas como forma de se conquistar credibilidade.

Curiosamente, um dos traços comportamentais mais admirados é também o menos lembrado: a reverência, que não tem nada a ver com a saudação respeitosa tão comum entre os eclesiásticos, e, sim, com a capacidade de venerar qualquer coisa ou pessoa que está fora do controle humano, como Deus, a verdade, a Justiça, a ética, a natureza ou até mesmo a morte.

A partir dela conseguimos nutrir a capacidade de respeitar o próximo, e é esta a linha de raciocínio seguida pelo professor Paul B. Woodruff no livro Reverence: Renewing a Forgotten Virtue, um dos mais bonitos trabalhos contemporâneos sobre a valorização do ser humano, do qual me permito extrair algumas ideias.

Antes de Platão, os gregos viam a reverência como uma proteção da própria sociedade, pensamento compartilhado pelos chineses seguidores de Confúcio. Gregos e chineses queriam que seus líderes praticassem a reverência, pois só assim eles estariam longe da tentação de assumir o controle sobre a vida dos outros.

Ou seja, para estes povos, a reverência era uma virtude que mantinha os humanos longe de agir como se fossem Deus. Ainda segundo os gregos, a tirania representava tudo o que um humano reverente renegava, ou seja, uma alma irreverente era arrogante, incapaz de venerar qualquer coisa que considerasse inferior e, para o tirano, todos são inferiores.

Mas o que isso tem a ver com o mundo empresarial? Longe de ser um assunto esotérico ou religioso, a reverência já entrou na pauta das empresas, uma vez que manter líderes, e não chefes, nos quadros de funcionários tornou-se fundamental, e qualquer profissional que demonstre traços de arrogância pode ser preterido de uma importante posição.

Os líderes costumam inspirar os que estão ao seu redor e, ao contrário dos chefes, respeitam todos, independentemente do nível hierárquico.

Obviamente, o respeito pode ser algumas vezes bom ou ruim, mas a reverência clama pelo respeito apenas quando ele é realmente a atitude mais ética e apropriada. Respeitar um tirano, por exemplo, não é reverente.

O poder sem reverência é um estímulo à arrogância, traço negativo da personalidade para qualquer profissional, especialmente para os que comandam equipes ou sonham em fazê-lo.

É importante lembrar que os líderes não são tiranos, nem tampouco os tiranos são líderes. Quem exerce o poder pelo medo não é confiável e também não confia nos outros - aliás, é tão desconfiado que se torna dependente do seu próprio julgamento, e é muito mais passível a erros.

O isolamento é uma tendência natural para o tirano, que se coloca num pedestal, de onde a queda é inevitável.

A mensagem é clara: ser reverente é saber respeitar, ouvir e admirar as pessoas, e quem consegue reunir essas qualidades está um passo à frente daqueles que ainda acreditam que a produtividade de uma equipe é conseguida aos berros.

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Marcelo Mariaca é presidente da Mariaca e professor da Brazilian Business School


Comentários

adriano carotenuto, Porto Alegre | 27/02/10 17:04
Belo artigo!
O grande desafio das empresas é resolver cada vez com mais habilidade/técnica os conflitos inter pessoais, tendo em vista a complexidade das relações humanas num mundo cada vez mais globalizado, onde as exigências são para ontem. A reflexão e prática dos valores da reverência contribuiriam para a melhora nos relacionamentos, suavizando consideravelmente os conflitos em aberto.
Mas, como é difícil ver isso na prática no dia a dia das organizações.


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