Ticker Bolsa 1

Ticker Bolsa 2

Legislação

Senado busca acordo sobre os royalties do pré-sal

Sílvio Ribas   (sribas@brasileconomico.com.br) | Correspondente do Brasil Econômico em Brasília
12/03/10 11:15


Mudança no texto vai ter de passar por oposição e bancada nordestina no Senado

Mudança no texto vai ter de passar por oposição e bancada nordestina no Senado

Collapse

Comunidade

Partilhe: del.icio.us   Digg   Facebook   TwitThis   Google   Mixx   Technorati  

Bancadas do Rio de Janeiro e do Espírito Santo articulam com governo alternativa à polêmica emenda aprovada pela Câmara.

A ressaca política para o governo e as bancadas do Rio de Janeiro e do Espírito Santo na Câmara está longe de acabar. Após a aprovação pelos deputados, na noite de quarta-feira (10), da emenda Ibsen-Souto (387), que alterou o projeto de partilha do petróleo para estabelecer divisão igualitária dos royalties entre estados e municípios produtores e não-produtores, as pressões se mudaram para o Senado e para o Palácio do Planalto.

Apesar de o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), voltar a afirmar ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai vetar a emenda, senadores governistas e dos estados prejudicados articulam mudanças no texto.

Estão agora nas mãos dos senadores os quatro projetos do Executivo que formam o novo marco regulatório do setor, a partir da exploração da camada pré-sal.

"Temos de buscar um acordo no Senado. A solução não pode ser deixar para o presidente resolver um problema que o próprio Congresso criou", disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES). Ele informou que as bancadas fluminense, capixaba e de São Paulo, além do líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), se reunirão terça-feira para discutir o texto da partilha aprovado pela Câmara.

"A decisão é desprovida de qualquer bom senso e inviabiliza não só o Rio de Janeiro, mas também o Brasil", disse o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), que também espera uma saída negociada em plenário.

Mas a batalha não será fácil, ao se considerar o peso maior da oposição no Senado e o fato de só a bancada nordestina ter um terço dos votantes. Jucá, que conversou com Lula sobre o tema, disse que a Casa não tem de aprovar o texto sobre a distribuição dos royalties da maneira exata como veio da Câmara. E apela para a busca de alternativas: "Temos que buscar um equilíbrio. Não queremos instalar uma guerra entre estados produtores e não-produtores. Temos que encontrar uma solução boa para todos."

Nos bastidores, parlamentares do Rio continuaram se queixando da falta de empenho do governo para evitar a expressiva derrota da última votação do pré-sal (369 a 72), motivada pelo calendário eleitoral.

Ao rever a atual distribuição da receita, a emenda geraria perdas iniciais de R$ 7,2 bilhões por ano aos cofres públicos do estado e dos municípios fluminenses.

Além de pressionar Lula pelo veto, parlamentares dos estados afetados vão acionar o Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que os royalties são compensações previstas pela Constituição e, por isso, produtores devem ter tratamento diferenciado.

Eles apontam ainda irregularidades na tramitação da emenda dos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e Humberto Souto (PPS-MG), que divide royalties pelo critério dos fundos de participação.

Curiosidades da derrota

A votação teve episódios curiosos. O primeiro deles foi o inesperado apoio dado à emenda pelo próprio relator do projeto da partilha, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), depois de afirmar na tribuna que havia se sensibilizado ao chegar a Brasília num voo lotado de prefeitos.

Outro desses foi o voto favorável à emenda dado por dois deputados da bancada fluminense, Nelson Bornier (PMDB) e Adilson Soares (PR), apesar do sinal verde dado por seus partidos. O presidente do DEM, Rodrigo Maia, era um dos quatro nomes ausentes do Rio de Janeiro.


Comentários

Neto, Porto Alegre | 12/03/10 12:54
Não seria a hora de o Rio de Janeiro fazer uma forte campanha para se exigir uma emenda que o permita cobrar icms como qualquer outro estado?? Não seria mais justo, e até lucrativo, que ele próprio tributasse o que acha que deve tributar?? Assim não precisaria mais ficar com este discurso de que "merece " ou "não merece" os royalties. Teria sua autonomia fiscal, o que seria bem melhor!!!


José Carlos, Petrópolis | 13/03/10 11:47
Os Deputados demonstraram desconhecer o que é royaltie. E a alegada emenda desrespeita em n trechos a Constituição Federal. RJ e ES e futuramente São Paulo não recebem favores, os royalties não são benesses, são indenizações por riscos e custos ambientais e sociais, compensações previstas constitucionalmente. N princípios da ordem econômica e social são afrontados pela emenda. Aprovado o despautério, o Governo Federal terá que bancar os custos bilionários da COPa do MUndo de 2014, das Olimpíadas e de outros eventos esportivos já internacionalmente acordados. E desde já, adeus UPPs! Campos dos Goytacazes não vai ter dinheiro nem pra pagar seus funcionários. Os deputados federais não pararam um só minuto pra pensar nas gravíssimas consequencias sociais que a emenda trará aos estados afetados. Santos, São Vicente e outros municípios do litoral paulista já recebiam grandes investimentos estaduais e municipais contando com os royalties e, agora, babau. Quanta ignorância e quanta arbitrariedade!


BIBIANO, PARANAGUÁ | 16/03/10 16:12
A receita advinda da exploração do petróleo do pré-sal deve ser dividida entre TODOS OS ESTADOS, pois o petróelo é da NAÇÃO e não do Estado A ou B. Além disso a CF/88 é clara ao dizer que as riquezas minerais exploradas alé do mar territorial é da UNIÃO. A nova repartição VAI BENEFICIAR TODA A NAÇÃO. A Petrobras NÃO É DO RJ, nem do ES e nem de nenhum Estado, É DA NAÇÃO, E, PORTANTO, DE TODOS OS ESTADOS.


Juliana, Rio de Janeiro | 16/06/10 17:25
E o Rodrigo Maia que nem apareceu na votação? Dizem que estava viajando, mas o interessante é que a votação foi marcada com um mês de antecedência. Parece que os doze anos dele no Rio não causaram nem uma lasquinha de afeto por este Estado.


c.junior, castanhal\pa | 18/03/10 11:15
bem,com a distribuição dos rovalties para o municípios ajudaria a economia deles a se manter forte,ajudaria com os investimentos locais, tipo a educaçao pois o dinheiro seria bem distribuido.


nenen borges, sao jose do campestre | 22/03/10 18:02
a questão do rio não quere a repartilha dos royalteis e egoismo porque o petrolio é da união e não do rio e nem dos capichabas,tem que ser repartido.


Envie o seu comentário

Os comentários enviados serão publicados após aprovação. O Brasil Econômico reserva-se o direito de não publicar comentários considerados como ofensivos ou sem ligação alguma ao artigo em questão

outros jornais da EJESA