O percurso da indústria nacional nos últimos 25 anos pode ser considerado um caso de insucesso porque a sua participação no PIB de um país que ainda tem renda per capita baixa regrediu significativamente, ao contrário de outros países emergentes.
Na média do período 1972/1980, a indústria respondia por 30% do PIB total brasileiro, mas apenas por 23,7% em 2007, 6,3 pontos percentuais a menos.
São números de um levantamento do Professor Mauro Thury da Universidade Federal do Amazonas com base em dados das Nações Unidas. Segundo ele, vários países cuja média de crescimento anual foi igual ou superior a 5% entre 1970 e 2007 registraram aumento da participação da indústria de transformação em suas estruturas produtivas.
Grande destaque para as economias asiáticas, especialmente China e Coréia do Sul. O Brasil ficou para trás.
Mas, o processo brasileiro pode ser concebido também como "resistência" porque o contexto predominante nas duas últimas décadas e meia e as políticas adotadas nesse período teriam dizimado qualquer setor industrial, caso este não tivesse bases relativamente sólidas de constituição como tem no caso do Brasil.
De fato, por quase um decênio (meados dos anos 1980 até 1994) a economia brasileira permaneceu à beira de uma hiperinflação; seguiu-se uma abertura da economia mal conduzida e uma onda de sucessivas crises motivadas pela vulnerabilidade externa (1995 a 2003).
Esses fatores desarticularam cadeias industriais inteiras e bloquearam o florescimento de setores que em outros países emergentes lideraram os esforços de industrialização durante a chamada globalização.
A "resistência" da indústria brasileira a habilita como promotora do desenvolvimento econômico brasileiro como fora no passado? A resposta é sim.
Primeiro, porque a desindustrialização no Brasil foi relativa e não destrutiva do setor como um todo. Em segundo lugar, ainda que a redução da participação da indústria do país no valor agregado industrial do mundo (que chegou a ser de 3% no início dos anos 1980) constitua outro sintoma de empobrecimento relativo da industrialização no país, esta participação mantém certa expressão (2,2% em 2007).
Ou seja, mesmo tendo se fragilizado e perdido oportunidades, a indústria conserva uma estrutura forte, é diversificada e se faz presente no "mapa industrial mundial".
Em outras palavras, preserva condições de retomar uma situação de liderança do crescimento e da transformação característicos de um desenvolvimento econômico que se espera para o Brasil.
O país precisa ampliar sua industrialização para se desenvolver, mas isso remete a questões complexas, embora factíveis, tais como: reformar o sistema tributário, desobstruir o gargalo do financiamento dos investimentos, melhorar a infra-estrutura, perseguir meios para que a taxa de câmbio não se perpetue em patamar sobrevalorizado, incentivar a inovação empresarial e aprimorar a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP).
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Julio Gomes de Almeida é professor de Economia da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda
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