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Ricardo Galuppo

Reformas necessárias - 1

29/07/10 07:13 | Ricardo Galuppo - Diretor de Redação do Brasil Econômico



Numa conversa durante o almoço de ontem, onde o tema era o extraordinário interesse que o Brasil tem despertado no exterior, um dos principais executivos de um dos maiores bancos do país mostrou-se preocupado com o futuro.

Só um pouco, mas o suficiente para deixar claro que o país tem uma extensa e difícil lição de casa para fazer caso realmente queira ser a quinta economia do mundo em 2016, conforme acredita o presidente Lula.

Para ele, o país realmente vive um momento único - com reservas cambiais (de US$ 256 bilhões) superiores à dívida externa (de US$ 225 bilhões) -, e isso deve ser destacado em qualquer previsão sobre a economia.

Por mais promissor que seja o cenário, existem zonas de sombra que podem empanar o brilho do momento e impedir que o crescimento se dê a taxas proporcionais ao interesse que o país tem despertado.

Enquanto a maioria das avaliações aponta uma expansão superior a 7% ou 8% a partir deste ano, ele acredita que a taxa não passará de 4,5%. Tal visão se sustenta sobre duas evidências.

A primeira delas é que a deficiência da infraestrutura é, de fato, um gargalo estreito demais e não existem projetos capazes de reverter o quadro atual a tempo de acelerar a marcha rumo a 2016.

A segunda é que não existe no mundo caso conhecido de país que tenha sido capaz de crescer com uma poupança interna tão modesta como a brasileira - que atualmente é de mais ou menos 15,5% do PIB.

O problema da infraestrutura pode ser resolvido caso o próximo governo o inclua entre suas prioridades a partir de 2011.

Um bom planejamento pode atrair os investidores internacionais e levá-los a financiar as obras. Mas a necessidade de recursos é enorme, e ninguém garante que o interesse, por maior que seja, baste para tudo o que precisa ser feito. O caso da poupança interna é mais delicado.

Exigiria que se tocasse no vespeiro que é a Previdência pública do país.

Regida pelo sistema de caixa, onde quem está na ativa gera os recursos que honrarão as aposentadorias de quem deixou de trabalhar, o modelo teria que ser substituído pelo regime de poupança - em que o trabalhador guarda hoje o dinheiro que o sustentará no futuro.

Sem isso, o país viverá a estranha situação de depender do capital externo tendo sobra de divisas. Um caso para pensar.

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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico


Comentários

sergio salomon, Belo Horizonte | 29/07/10 11:28
Este senhor está de parabéns. OTIMA analise. Dentro da realidade. A infraestrutura é possível de se consertar no medio prazo com pesados investimentos e prioridades claras. Mas a providência social será um GARGALO impagavel. Falo de conhecimento proprio-Residi nos Estados Unidos por 10 longos anos e vi, ouvi, e percebi o mesmo problema da POUPANÇA INTERNA lá. Ninguém poupa para a aposentadoria, logo o problema se torna tão grande que não há saida a vista no curto e médio prazo. Só será alterado em duas gerações.


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