Paulo Maluf e Celso Russomano: ex-adversários internos no PP, eles se uniram em 2010. Votos do pepista foram para Mercadante
Comunidade
Em 1996, o então prefeito Paulo Maluf estava no auge de sua popularidade quando elegeu Celso Pitta como sucessor.
O mote da campanha na época pregava: "Se Pitta não for um bom prefeito, nunca mais votem em mim".
Como é de domínio público, Pitta não foi um bom prefeito e os votos em Maluf diminuem sistematicamente a cada nova eleição.
Na última tentativa majoritária, para a prefeitura em 2008, o ex-governador registrou seu pior desempenho: 6% de votos, quase o mesmo que Soninha Francine, do PPS.
Nos últimos dois anos, Maluf se reinventou. Desistiu definitivamente de voos mais altos, entendeu-se com Celso Russomanno e, hoje, está engajado na campanha do ex-adversário interno do PP.
Dessa vez, contudo, Dr. Paulo é mais cauteloso. "Se Russomanno não for um bom governador, não votem mais nele".
"Ele me apoia como já apoiou o PSDB na eleição do Covas. Apoiou também a Marta para a prefeitura. Maluf sempre foi bom puxador de votos", diz Russomanno.
Na última pesquisa Datafolha para o governo paulista, o candidato do PP apareceu com 7% das intenções de votos - quatro a menos que no levantamento anterior. Impossível mensurar o quanto disso é parte do espólio malufista.
O fato concreto é que esses votos foram perdidos para Aloizio Mercadante, do PT, (ex) adversário histórico de Maluf. Os petistas já traçavam esse cenário, tanto que decidiram investir em Paulo Skaf, do PSB, para forçar um segundo turno na corrida ao governo.
Dilma fez campanha com o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e foi parar na propaganda do PSB na TV. Tudo com aval de seu candidato local.
"Ficou claro que o Mercadante está esvaziando o Russomanno e não tirando votos do Geraldo", avalia o deputado tucano Edson Aparecido. São muitas as teses sobre o destino dos votos malufistas.
Para o professor de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Valeriano da Costa, o PT cresceu quando tinha como confrontar Maluf, que representava a velha direita paulistana.
Quando ela desapareceu, os tucanos chegaram primeiro e ocuparam aquele espaço adequado ao perfil do eleitor moderado.
"O PT levou muito tempo para se definir nesse perfil mais moderado e hoje não consegue mais recuperar o centro. Uma boa parte dos apoiadores do PT ainda são do velho PT, mais radical", diz.
A ex-prefeita Luiza Erundina tem outras explicação para o fenômeno do Lulo-malufismo. "A direita em São Paulo é mais explícita, mas existe uma confusão ideológica imensa."
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