As empresas acionistas dos três principais projetos de alcooldutos do Brasil negociam um acordo para integrar investimentos e reduzir custos, afirmou o presidente da ETH Bioenergia, José Carlos Grubisich.
"Estamos trabalhando para consolidar os três projetos, e chegamos muito perto de um projeto único (a ser fechado até o fim do ano)", afirmou.
A ETH, do grupo Odebrecht, herdou o projeto de alcoolduto da Brenco, que adquiriu no ano passado. Os outros pertencem ao consórcio PMCC (Petrobras, Mitsui e Camargo Corrêa) e da Uniduto Logística, formada por um grupo de usinas que responde por um terço do etanol brasileiro (Copersucar, Cosan, São Martinho, Bunge, entre outros).
Detalhes de traçado dos dutos ainda não foram aprofundados, segundo Grubisich, e se estuda qual volume será movimentado em cada trecho dos projetos para avaliar as melhores opções.
"Neste ano ainda teremos um marco importante para esses investimentos, de forma que o projeto comece a ser implementado a partir do ano que vem", diz o executivo.
Os três projetos possuem ramificações distintas, mas todos são similares pelo menos no traçado paulista, indo das regiões produtoras de cana do interior até o litoral, passando pelo polo de distribuição de combustíveis de Paulínia.
O traçado da ETH custará R$ 2 bilhões e tem 1,2 mil quilômetros, saindo de Alto Taquari (MT) até o Mato Grosso do Sul, e depois para Santos (SP). O da Uniduto, orçado em R$ 3 bilhões, tem 600 quilômetros em trajeto similar dentro de São Paulo.
Já o da PMCC custará R$ 1,8 bilhão só na primeira fase, e quando concluído ligará Senador Canedo (GO) até os portos de São Sebastião (SP) e Rio de Janeiro, também pelo interior paulista.
Desde o início houve troca de informações, disse anteontem o presidente da Uniduto, Sergio Van Klaveren. Faria sentido algum tipo de integração, "pelo menos em trechos onde há redundância", afirmou.
É o caso dos intervalos entre Serrana (SP) e Santa Bárbara (SP), no projeto da Uniduto, e de Ribeirão Preto (SP) a Paulínia (SP), no da PMCC, que correm paralelos. Serrana é vizinha de Ribeirão Preto e, Santa Bárbara, de Paulínia.
"É um assunto que, pelo menos por ora, não está na agenda dos executivos", disse Klaveren.
Viabilidade
Com usinas distantes dos polos consumidores, o plano de alcoolduto da Brenco era um dos pilares do plano de negócios da companhia. As dificuldades financeiras durante a crise internacional levaram os credores a assumir a empresa, e os ativos foram transferidos para a ETH antes mesmo de a Brenco moer uma tonelada de cana.
"O alcoolduto é prioridade dentro do nosso negócio", diz. Os investimentos da ETH, no entanto, estão focados em colocar em operação os projetos que a Brenco deixou pela metade.
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