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Ricardo Galuppo

Por uma revolução na educação pública

12/08/10 07:18 | Ricardo Galuppo - Diretor de Redação do Brasil Econômico



O advogado Jair Ribeiro é um nome conhecido no mundo financeiro e é dono de um repertório formidável para analisar empresas e negócios. Mas ontem (11), durante o almoço, ele passou quase duas horas falando de educação.

Ribeiro é, ao lado de Ana Maria Diniz, coordenador do Parceiros da Educação, organização formada por empresários que dedicam tempo, experiência, recursos e rede de contatos à missão de melhorar a qualidade do ensino público em São Paulo.

De um modo geral, as escolas administradas pelo Parceiros apresentam, a partir da adoção, avanços significativos no Idesp, o índice que mede o desenvolvimento da educação no estado.

Uma preocupação de Ribeiro nos últimos dias tem sido a falta de menção ao ensino básico nos discursos dos principais candidatos à Presidência.

Isso encontra explicação, segundo ele, no caminho escolhido pelos coordenadores para eleger as questões que estarão no centro das campanhas.

Por maiores que sejam suas deficiências, a escola pública nunca é incluída pela população entre os principais problemas do país.

Pelo contrário: a maioria das pessoas a aprova. Como, em matéria de educação, a maior demanda do povo é por mais ensino técnico, é dele que os candidatos tratam em suas campanhas.

Quem, no entanto, conhece a realidade do ensino público sabe que as deficiências são enormes e tem certeza de que é preciso uma revolução para sacudir a área.

Alguns dados são preocupantes. Entre eles, o de que um número expressivo de alunos sai da escola semianalfabeto - ou, para usar o termo politicamente correto, analfabeto funcional.

Se o atraso do Brasil em relação aos países desenvolvidos é de 40 anos em termos de infraestrutura e saneamento, por exemplo, em matéria de educação básica é de 100.

É preciso encurtar essa distância, e isso será conseguido se a educação básica for posta no topo das prioridades.

Do contrário, a economia crescerá sempre acima dos indicadores sociais, o que será péssimo para todo mundo. Inclusive para a parte mais rica da população.

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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico


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