Haroldo Lima, presidente da Agência Nacional de Petróleo, disse que o governo preferia um preço acima de US$ 8 por barril
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A Associação de Investidores no Mercado de Capitais, que representa acionistas minoritários, disse que a Petrobras pagará um valor caro ao governo pelas reservas que serão trocadas por ações da estatal.
"O preço ficou abaixo do que o governo queria, mas ainda vai causar diluição dos minoritários, que vão ter que desembolsar mais do que nós consideramos razoável para manter a participação na empresa", disse Edison Garcia, superintendente da associação, conhecida como Amec, numa entrevista por telefone nesta quinta-feira (2).
A Petrobras fechou ontem (1) um acordo para pagar ao governo US$ 42,5 bilhões por reservas de 5 bilhões de barris de petróleo, o equivalente a US$ 8,51 por barril.
Este valor vai determinar quantas novas ações a estatal terá que emitir na oferta a minoritários. A empresa conta com essa operação para financiar seu plano de investir US$ 224 bilhões até 2014.
A transação está marcada por conflitos de interesse e negligência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o que contribuiu para a queda de 26% das ações da Petrobras no ano até ontem, disse Garcia.
Segundo ele, um dos exemplos de conflito de interesse é o fato de Fabio Colletti Barbosa, presidente do Banco Santander Brasil, fazer parte do conselho da Petrobras como representante de minoritários, enquanto o Santander é um dos coordenadores líderes da oferta.
A associação também está criticando o CVM por não ter agido quando as ações da estatal despencaram depois de comentários de autoridades sobre expectativas para o preço do barril.
Haroldo Lima, presidente da Agência Nacional de Petróleo, disse que o governo preferia um preço acima de US$ 8 por barril. O ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, disse ao jornal O Estado de S. Paulo no mês passado que o preço do barril em áreas similares às reservas que seriam usadas parra a capitalização era de cerca de US$ 10, o que levou a perdas para a ação.
"A CVM tem sido muito omissa em toda essa história", disse Garcia. O órgão regulador do mercado financeiro nacional e o Santander não responderam aos pedidos de comentários.
As ações preferenciais da Petrobras fecharam em alta de 2,1%, a R$ 27,60. Os papéis ordinários terminaram inalterados, a R$ 31,24.
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