Para o programador Alan Kay, "o passado não deve ser base para um pensamento de longo prazo, pois o futuro é incerto. No entanto, deve-se criar o futuro, com constantes inovações", segundo o seu livro "The Early History of Smalltalk", 1996.
Seguindo esta mesma lógica, o ex-ministro da Fazenda Delfim Neto apregoa que nos últimos 60 anos os economistas vêm errando em suas previsões, destacando a falta de compreensão sobre a Produtividade Total dos Fatores (PTF), relacionando o tema ao capital humano, PIB, infraestrutura e as incertezas nas previsões.
No entanto, tanto Alan Kay quanto Delfim Netto estariam corretos principalmente quando o tema é o crescimento nacional? O que o passado pode nos ensinar e o futuro nos reserva?
Dados do Banco Mundial indicam que o Brasil ainda tem muito a fazer quando os assuntos são capital humano, infraestrutura e um ambiente adequado para negócios, apesar da sexta colocação entre as maiores economias do mundo, uma vez que indicadores como Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), renda per capita e testes educacionais não são satisfatórios.
Se na gestão do então presidente Collor abria-se a economia brasileira para o mundo, hoje o diálogo está associado às barreiras argentinas às importações, à crise europeia e sinais de arrefecimento chinês, com elevada participação deste país na balança comercial.
Caso o passado tivesse um grande peso para as previsões futuras, poder-se-ia dizer que o Brasil teria sérios problemas em 2012, fruto do cenário internacional.
Mas como citado anteriormente, o passado não deve servir de base para um futuro incerto, devendo-se criar as bases para o futuro hoje.
Delfim Netto está correto ao afirmar que, "os economistas vêm errando em suas previsões, destacando a falta de compreensão sobre os PTF", devido à visão destacada para indicadores e menos na formulação de políticas estratégicas de futuro.
O Brasil não investe adequadamente na educação e formação de gente qualificada, ainda menos em infraestrutura, com gargalos nas rodovias, portos, aeroportos, ferrovias, redes de energia, telecomunicações e saneamento básico, sendo que diversos estudos indicam que o crescimento está relacionado a estes fatores, bem como a ambiente ausente de burocracia e carga tributária reduzida.
O ideal imaginário poderia ser um país em que o governo exercitasse uma capacidade de gestão, com viés privado, reduzindo a sua participação a questões centrais, constitucionais e regulatórias, abrindo espaço para maior inserção privada, em um ambiente inovador para negócios.
Conforme escrito pelo filósofo Bertrand Russell, "não tenha certeza de nada", complementando, "o mundo é feito em ciclos de crescimento e quedas", em seu livro "Código de Conduta", 1969, restando ao governo a busca pela agilidade de decisões e a manutenção do crescimento sustentado, ainda mais quando a produtividade não ultrapassa o limite de 1% ao ano, segundo dados do Banco Mundial (2012) para o Brasil.
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Hugo Ferreira Braga Tadeu é professor e pesquisador da UNA e da Fundação Dom Cabral
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