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Ricardo Galuppo

O uso contínuo faz o remédio perder efeito

05/02/10 07:18 | Ricardo Galuppo - Diretor de Redação do Brasil Econômico



A BM&FBovespa;fechou ontem com uma forte queda, de 4,73%. Com isso, o índice que mede o desempenho da bolsa recuou para 63.934 pontos. É o nível mais baixo desde novembro do ano passado.

Este ano, entre altas e baixas, a bolsa já perdeu 7% enquanto o dólar, na direção oposta, teve uma valorização de pouco mais de 8%.

Reflexo da crise que ameaça Portugal e Espanha, a queda da bolsa é um teste interessante para a saúde da economia brasileira.

No final de 2008, quando os primeiros sinais da crise financeira desencadeada pela subprime americana jogaram a cotação das bolsas brasileiras na lona e elevaram a cotação do dólar, análises apressadas logo incluíram o Brasil no mesmo saco dos países atingidos em cheio pelo solavanco.

Logo se percebeu que a crise não atingia a todos da mesma maneira. Restrita aos investidores com dinheiro na bolsa, ela deixava de fora os brasileiros das classes C e D.

A questão é que a crise internacional, embora tenha poupado o Brasil, ainda não acabou e está dando neste momento mais um soluço importante.

Vamos supor - numa hipótese que não é desejada por ninguém - que os problemas de Portugal e da Espanha se agravem e o sistema financeiro internacional, que apresentava sinais de melhora, sofra uma nova paralisia.

A pergunta é: será que a mesma receita que deu certo no ano passado poderá ser usada? Será que ainda existe espaço para o aumento de consumo de bens duráveis entre os brasileiros de baixa renda?

Certamente existe. Mas, como todo remédio, se a saída for utilizada seguidas vezes, corre o risco de perder o efeito.

Uma nova solução tem que ser buscada e talvez passe pela utilização das ferramentas mais ortodoxas que vêm sendo defendidas pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Diante do risco de aumento da inflação, Meirelles tem falado em elevar os juros e em adotar providências mais rígidas em relação ao controle fiscal.

Por menos que o governo goste dessa ideia (afinal, estamos em ano eleitoral), talvez não tenha como fugir dela.

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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico


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