Enquanto mais de 2 mil faculdades e universidades particulares se engalfinham na briga pela captação de alunos para os tradicionais cursos de graduação e pós-graduação, algumas poucas instituições, mais visionárias, aproveitam um mercado emergente e pouco explorado pelas instituições formais - o mercado da educação corporativa.
A educação realizada dentro das empresas em seus centros de treinamento, ou "universidades"corporativas, sempre ficou distante da academia e das universidades tradicionais, já que se constitui de uma educação mais pragmática, objetiva, customizada e direcionada para necessidades específicas das empresas.
Deste modo, a empresa dava cabo desta tarefa com recursos humanos internos e provenientes das milhares de pequenas consultorias existentes no país com este fim.
Quando precisa de algo mais técnico recorre ao Sistema S, principalmente Senai e Senac e, no caso de uma necessidade mais elitizada, voltada para a sua cúpula, recorre a instituições como FGV, Ibmec, FIA, Dom Cabral etc.
As faculdades e universidades comuns nunca olharam com atenção para este segmento do mercado por diversas razões, entre elas: a) não tinham se dado conta do tamanho deste mercado, estimado em mais de R$ 10 bilhões ao ano; b) tinham receio em competir com o Sistema S devido aos subsídios que este recebe; c) sabem da dificuldade de fazer a ponte entre a academia e o mercado; e, principalmente, d) não estavam preparadas para formular programas educacionais customizados.
Algumas instituições de ensino começam a contrariar a regra e mostrar que é possível, sim, aproximar a academia das empresas e criar programas customizados.
Estas instituições descobriram as vantagens da certificação oficial, dos programas modulares e das possibilidades atuais de entregar produtos personalizados mas com escala, devido ao apoio das chamadas TICs - tecnologias da informação e comunicação.
Dessa forma, algumas faculdades começam a gerenciar parte do conteúdo ministrado em algumas universidades corporativas. Com isso, o valor do certificado recebido pelos funcionários é enriquecido (já que antes tinha apenas a chancela da empresa), a visão de conjunto da empresa é ampliada e se fomenta o desenvolvimento de ideias inovadoras, transformando o tradicional treinamento em um rico momento de crescimento coletivo dentro da empresa.
A entrada das faculdades e universidades tradicionais no mercado da educação corporativa é apenas uma parte do que se chama de oportunidade do "oceano azul"na educação.
Parafraseando o livro intitulado "Estratégia do Oceano Azul", em que os autores W. Chan Kim e Renée Mauborgne discorrem sobre a disputa da concorrência de mercado, estas instituições deslocam-se da concorrência predatória por alunos da gradução (clientes por aproximadamente quatro anos), e migram para um modelo de educação permanente e continuada, onde ela poderá ter seu cliente não mais por quatro anos, mas talvez por décadas.
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Ryon Braga é sócio da Hoper Consultoria
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Olá Ryon, aposto muito nesse mercado e vou investir. Gostaria do apoio da Hoper com mais informações.
A Universidade Corporativa é um grande Upgrad na receita das IES particulares.
Um abraço e vamos trocando mais informações.
Fábio Iniesta