Muito se falou durante a recente crise econômica mundial sobre o medo do desemprego entre executivos. Passado o período de turbulência, o medo de perder o emprego ainda é presente na rotina de muitos desses profissionais.
Embora o índice do medo do desemprego, calculado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), tenha atingido níveis próximos do piso histórico, demonstrando grande segurança no emprego por parte dos trabalhadores de todos os níveis hierárquicos, a realidade é bem diferente quando se trata especificamente de executivos.
Após traçar toda uma carreira, executivos acabam tendo mais a perder, em termos financeiros, pessoais e profissionais.
Grande parte desses executivos admite que a carreira profissional está em primeiro lugar, acima da família e da vida pessoal. Mas é exatamente para garantir o bem-estar da família que a carreira aparece em primeiro plano.
Por conta desses fatores e de todo o histórico que os executivos constroem, diversas pesquisas mostram que alguns profissionais, quando demitidos, podem apresentar sintomas de depressão, o que acaba dificultando a readaptação a um novo trabalho.
Artigo recente publicado no jornal The Wall Street Journal revela que o desempenho de pessoas que estiveram afastadas do mercado de trabalho por algum tempo é prejudicado pela ansiedade e por um temor de que a situação do desemprego se repita.
Estudo conduzido na Universidade de Michigan em 2002 mostrou que o desemprego pode deixar cicatrizes psicológicas, um problema que pode se arrastar por até dois anos.
A preocupação dos especialistas é que essa ansiedade que algumas pessoas desempregadas enfrentam pode perdurar ao assumir um novo trabalho, dando aos novos empregadores mais uma razão para não contratar pessoas desempregadas.
As empresas querem candidatos que consigam executar suas responsabilidades com bons resultados, se possível imediatos.
Porém, o medo do desemprego também pode surgir em momentos de crises no mercado ou quando há cortes. O clima de insegurança acaba gerando uma falta de dedicação e comprometendo o olhar crítico.
Dificilmente um funcionário dirá que seu superior está errado, ou defenderá uma opinião, se acreditar que está ameaçado. Nestes casos é sempre prudente a empresa adotar uma posição transparente e ética. Mas quem acredita que o desemprego só traz coisas ruins está muito enganado.
Após anos de dedicação a uma empresa, é importante que o executivo faça uma reflexão de sua carreira, avalie suas conquistas e também os erros.
É válido ainda que ele reveja seu plano de carreira: se tudo correu dentro do esperado, ou se é o momento de partir para uma mudança.
Nessa hora, é inevitável que o medo apareça. O novo e o desconhecido sempre geram inquietação. Mas é preciso utilizar estes sentimentos como motivadores, impulsionadores.
A essência do mercado de trabalho é o risco. Isso significa imaginar, descobrir novas formas de atuação, inovar e, às vezes, passar por cima de antigos hábitos, para ser diferente e melhor.
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Marcelo Mariaca é presidente do Conselho de Sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School
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