A Empresa Jornalística Econômico S.A. (Ejesa) requereu na tarde de ontem a desfiliação da editora O Dia da Associação Nacional de Jornais (ANJ). Razões para a medida não faltam.
A empresa não se sente representada por uma associação que se conduz de forma tão parcial, desleal e tendenciosa.
No início deste ano, a Ejesa, que na ocasião editava apenas o Brasil Econômico, apresentou à ANJ um pedido de filiação, que não mereceu resposta positiva nem recusa formal.
Semanas depois, a empresa soube pelo noticiário de um pedido da associação à Procuradoria Geral da República no sentido de investigar sua situação legal.
Segundo a entidade (que recorreu aos meios de comunicação antes de fazer qualquer comunicado à empresa), a Ejesa atentava contra o artigo 222 da Constituição.
Esse artigo reserva para brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos a exclusividade sobre a propriedade de no mínimo 70% do capital das empresas de comunicação no país.
Estrangeiros podem ser detentores de, no máximo, 30% dessas organizações. Sem necessariamente concordar com ele, a Ejesa sente-se muito confortável diante do artigo 222: 70% de seu capital pertence à brasileira nata Maria Alexandra Mascarenhas Vasconcellos. Os outros 30% pertencem, sim, ao grupo português Ongoing.
Além de registrar a decepção com a forma de ação adotada pela ANJ, a empresa não pode deixar de apontar uma estranha coincidência: o ataque foi desferido dias depois de a Ejesa haver anunciado a intenção de adquirir O Dia, diário de presença destacada no mercado do Rio de Janeiro.
Não satisfeita com a representação na Procuradoria, a entidade ainda convocou, por meio de um deputado amigo, uma audiência pública para discutir a questão no âmbito do Poder Legislativo.
A despeito de, na ocasião, quatro deputados terem afirmado que nada havia de irregular com a Ejesa, o representante da ANJ disse que nada daquilo importava: o Brasil Econômico, para ele, continuava sob perigoso domínio do capital português.
Diante da impossibilidade de diálogo, restou à Ejesa requerer a desfiliação de O Dia da associação que ele ajudou a fundar. E só aceita discutir uma possível volta no dia em que a ANJ agir em nome de todos, e não apenas de dois ou três de seus sócios mais influentes.
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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico
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Parabens, precisamos neste momento democratico, de jornais independentes e com a fidegnidade necessaria para transmitir aos seus leitores a realidade "do que se vê nas ruas" e não as que são "geridas dentro das oficinas das empresas jornalisticas".
Isso mesmo, não se deixem vender aos 'globais', precisamos de uma imprensa independente para que possamos saber a verdade dos fatos.