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17:21 | Sexta, 12 de março 2010
Thaís Costa

O celular como um canal de solidariedade

20/01/10 07:09 | Thaís Costa - Editora Executiva do Brasil Econômico



Os 23 milhões de brasileiros que compraram um telefone celular no ano passado elevaram o universo de usuários no país a 173,9 milhões, transformando 2009 no melhor ano da década.

Somos o quinto maior mercado de telefonia celular do mundo, à frente de potências econômicas como o Japão e atrás somente dos populosos China, Índia, Estados Unidos e Rússia.

Ciente de que o brasileiro é um adepto natural de tecnologia, um usuário contumaz de redes sociais e que as transações bancárias desenvolveram aqui uma agilidade incomum mesmo para países desenvolvidos, não encontro explicação satisfatória para o fato de não haver até hoje um canal simplificado para doações pelo celular que beneficiassem as vítimas das chuvas que destruíram grande parte da histórica São Luís do Paraitinga, ou dos deslizamentos em Angra dos Reis.

O rapper de origem haitiana Wyclef Jean pediu US$ 5 por fã e conseguiu amealhar US$ 1 milhão para as vítimas do terremoto no Haiti em menos de uma semana. Os adeptos enviaram a palavra Yele para o número de telefone 501501 e tiveram US$ 5 debitados na sua própria conta do telefone.

O ator Ben Stiller usou da mesma facilidade para levantar US$ 10 por pessoa para uma escola haitiana em Ceverine, por intermédio de mensagem de texto (SMS) com a palavra Haiti para o número 90999.

Até a primeira-dama Michelle Obama fez apelo por doações à Cruz Vermelha e angariou para o Haiti US$ 6 milhões em cinco dias. Se 50% dos 170 milhões de celulares doassem R$ 10, teríamos reunido R$ 850 milhões para as vítimas de São Luís do Paraitinga.

O consultor Júlio Puschel, do Yankee Group, avalia que os bancos, tímidos, ainda restringem as operações financeiras pelo celular a clientes endinheirados que usam smartphones.

A luz no fim do túnel parece vir no meio do ano, através de um piloto iniciado pela Mastercard, Itaú e Vivo, cujo aplicativo vai permitir transações bancárias na plataforma das operadoras móveis.

Doações à ONU, por exemplo, poderão ser feitas por meio de uma conta cadastrada na operadora.

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Thaís Costa é editora executiva do Brasil Econômico


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