O Brasil vivia, há exatos 20 anos, um dos períodos mais críticos de sua história. Apenas para recordar: havia um presidente eleito, Fernando Collor de Mello, à espera da posse - que aconteceria no dia 15 de março daquele ano.
Uma equipe comandada pela economista Zélia Cardoso de Mello, reunida no Hotel Transamérica, em São Paulo, traçava o esboço inicial de um plano que, nas palavras do próprio Collor, significaria o "único tiro" que o novo governo tinha para disparar contra uma inflação que não parava de subir.
Em janeiro daquele ano, a taxa alcançara impensáveis 67,5%. Em fevereiro, chegaria a incríveis 75,7%. E no mês seguinte, março, a inacreditáveis 82,3%. Não podemos nos esquecer: estamos falando de taxas mensais.
No Palácio do Planalto, um governo desacreditado, comandado por José Sarney, não via chegar a hora de entregar o país ao sucessor. Naquele momento crítico, Sarney chegou a discutir com seus assessores mais próximos a ideia de renúncia.
Isso acabou não acontecendo, o Plano da equipe de Collor não deu certo e o país ainda esperou quatro longos anos pelo fim da agonia inflacionária.
Isso, felizmente, é apenas história. Os tempos são outros, mas é importante ter esses fatos em mente até para termos claro o quanto o país evoluiu nesses 20 anos.
A inflação anual que o país apresenta hoje é equivalente à taxa de dois ou três dias em fevereiro de 1990.
As reservas cambiais estavam zeradas e não havia dinheiro nem mesmo para importar insulina e medicamentos contra câncer. A indústria nacional estava carcomida por anos de maus-tratos oficiais.
Estimuladas, entre outras coisas, pelas provocações de Collor (que chamou os automóveis brasileiros de "carroças"), e com a vida facilitada por uma série de ações governamentais, as montadoras começaram a se mexer desde então.
Motivada, a indústria automobilística se fortaleceu a ponto de ser uma das tábuas de salvação do governo na crise que não atingiu o país no ano passado.
É bom recordar os erros do passado. Até para não corrermos o risco de repeti-los.
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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico
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