Maurício Fernandes, da Dedalus: meta é desenvolver mercado para os serviços da americana
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Novos serviços reforçam atuação da gigante de buscas da Internet no mercado de pequenas e médias empresas.
Um ecossistema de empresas brasileiras se desenvolve em torno das ofertas corporativas do Google.
A oportunidade de vender os produtos da companhia, uma empresa em forte crescimento e que por sua popular marca atrai a atenção do mercado comprador, leva a uma estratégia à primeira vista contraditória.
As empresas que distribuem e implementam sistemas corporativos ganham atualmente parte importante da sua receita com a negociação e atualização de licenças de software, e depois continuam lucrando ao vender serviços de gestão da infraestrutura de servidores, necessários para manter a operação.
Já o Google oferece o acesso aos seus programas por meio da internet, "em nuvem", como o mercado batizou o modelo no qual a infraestrutura do serviço fica sediada com o Google.
Dessa forma, o cliente paga pelo direito de uso e acessa os programas pela internet, sem precisar se preocupar em instalar software ou gastar com a manutenção da estrutura.
Para não perder receita, a estratégia das parceiras do Google está baseada, pela facilidade de implementação e gestão da tecnologia, na compensação da possível perda de receita com um volume maior de clientes: prestar serviços a mais empresas, com contratos de menor valor.
Os parceiros também têm receita recorrente, já que os clientes precisam renovar anualmente o direito de uso e parte desse valor vai para a empresa intermediária.
"A receita de um negócio pode ser menor, mas ser mais atrativo (às parceiras) em termos de margem operacional", afirma o diretor da unidade Google Enterprise da gigante da internet, José Nilo.
Como a empresa americana fica responsável por toda a gestão e armazenamento dos dados criados pelo cliente, os parceiros prestam menos serviços, mas também não precisam ter profissionais especializados e que acarretam maior custo por contrato.
O Google Enterprise é um conjunto de ofertas corporativas, que inclui um serviço de buscas especiais, versões corporativas dos programas geográficos (Google Maps e Google Earth), e o Google Apps, que reúne uma série de aplicativos concorrentes do Office, da Microsoft, como e-mail, processador de texto, planilha eletrônica e software de apresentações.
Com duas décadas de atuação, a brasileira Dedalus, uma das primeiras parceiras no Brasil da Sun Microsystems - adquirida pela Oracle no último mês -, vê no Google uma oportunidade similar.
"Nós ajudamos a desenvolver a área corporativa para a Sun e o Brasil se tornou um dos principais mercados para a empresa", diz o presidente da Dedalus, Mauricio Fernandes.
"A história do Google é muito parecida. Como era a Sun, ela gera tecnologia e produtos, mas o mercado ainda não conhece seus produtos corporativos."
Nova oportunidade
Para a Dedalus, a sétima e última empresa que se tornou parceira para a venda da Google Apps - em setembro do último ano -, é a chance de voltar ao porte que chegou a ter.
Com o crescimento dos negócios com a Sun, a empresa ganhou força no mercado de serviços de data center, primeiro com um centro próprio para gerenciar a tecnologia dos clientes e depois com a aquisição em 2006 da Primesys, que pertencia à Portugal Telecom.
Em 2010, o objetivo é crescer 25%, para R$ 20 milhões, sendo que a plataforma Google deve responder por 45% da meta de crescimento. Segundo Fernandes, até o momento há 14 clientes com contratos fechados e a Dedalus foi contactada por cerca de outras 100, três ou quatro por dia.
Se a Dedalus foi a última a acertar representação com o Google, a Spread, que fatura mais do que R$ 200 milhões, foi a primeira. "Em termos de faturamento a diferença é bastante grande em relação ao modelo tradicional (de licenças), mas temos de oferecer uma opção de trabalho em outra modalidade", afirma o diretor de produtos Google na Spread, Luis Trevisan.
"Trata-se de um negócio que nasce agora. O mercado de aplicativos em nuvens existe só há dois anos." A aposta é que exista um novo mercado pronto a ser desenvolvido.
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