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Commodities

Ouro continua no pódio de valorizações

Maria Luíza Filgueiras   (mfilgueiras@brasileconomico.com.br)
01/12/09 07:43


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O balanço de investimentos do mês de novembro mostra que o ouro continua reluzindo com a maior rentabilidade mensal, graças ao alerta desencadeado em Dubai de que a crise financeira não chegou ao fim.

Durante o mês, disparou 16,20%, em termos nominais. O metal sempre desponta como aplicação segura em momentos de incerteza - principalmente
sob a sombra de pressões inflacionárias. Mas, dessa vez, não é a chama do dragão dos preços altos que tem iluminado o ouro.

A retração da economia dos Estados Unidos e o alto endividamento do país têm resultado no enfraquecimento do dólar, moeda que compõe boa parte das reservas dos bancos centrais do mundo.

Com a desvalorização da divisa e perspectivas pouco estimulantes para a terra do tio Sam, essas instituições têm reduzido a participação do dólar em suas reservas de valores e incorporado o metal na cesta de aplicações.

"O dólar está perdendo o status histórico e os investidores estão substituindo por investimentos como ouro e ações, já que não há outra base monetária capaz de assumir esse papel", considera Ricardo Torres, professor de finanças da Brazilian Business School (BBS).

Ele pondera que a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para estrangeiros e as intervenções do Banco Central do Brasil no mercado de câmbio podem segurar a divisa na casa de R$ 1,72 até o fim do ano, mas no médio prazo a tendência é de queda.

Com isso, o Banco Central da Índia já adquiriu mais de 200 toneladas de ouro, estoque que já foi feito também pelos Bancos Centrais da Rússia e da China.

"Não vejo o ouro revertendo trajetória, ainda que já tenha subido bastante. Por isso, vale a pena a pessoa física investir parte do patrimônio em fundos que incluam o metal na carteira", avalia Newton Rosa, economista da Sul América Investimentos.

Galgando posições também no mercado internacional, o preço do metal já virou desculpa para noivos em fuga.

"Para quem não quer casar: coloquem
a culpa no custo da aliança", brinca César Canali, especialista em commodities da corretora MF Global, de Nova York.

Se o discurso é uníssono quanto ao ouro, a aplicação em renda variável para dezembro está sem consenso.

A opinião de Torres, da BBS, é que o investidor deve aproveitar para realizar os lucros acumulados no ano e buscar alternativas menos arriscadas na renda fixa.

"Com a rentabilidade acumulada, compensa reduzir a exposição ao risco e colocar mais recursos na poupança ou em títulos do Tesouro nacional com prazos mais longos, mas não de taxa fixa", diz ele, apontando os papéis atrelados ao IPCA e à Selic como boas pedidas para virar o ano.

Newton Rosa concorda que a renda fixa ainda gera prêmios gordos e esses fundos se sobrepõem aos DI. "Mas não sairia da bolsa neste mês. A rentabilidade pode ser menor, mas não vai atrapalhar a carteira no ano", diz.

O raciocínio é similar ao de Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Gradual. "A bolsa já cumpriu a meta de pontos do ano, em torno de 64 mil pontos, e não teria motivos para subir mais.

Mas o mercado tem apresentado forte volatilidade e evolução razoável de otimismo, mesmo com impactos como o caso do DubaiWorld", pondera.


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