"Estou louco para atingir pleno emprego no Brasil e não precisar mais de salário família como o Fome Zero", diz Jorge Gerdau
Comunidade
Empresário diz que é responsabilidade de toda a sociedade aproveitar o bom momento para trabalhar pelo crescimento do país.
"Animal de barriga cheia não caça". Esta premissa resume a preocupação de Jorge Gerdau, presidente do conselho de administração da Gerdau com o Brasil que a sociedade está construindo para os próximos anos.
O temor do empresário é que o crescimento atual leve à acomodação e que o país perca a janela de oportunidades que se abriu. E que para ele não é fruto só de um trabalho interno, mas sim de uma realidade mundial.
"Estou louco para atingir pleno emprego no Brasil e não precisar mais de salário família como o Fome Zero", afirmou o empresário em evento da Câmara Americana de Comércio (Amcham) em parceria com o jornal Valor Econômico, realizado ontem em São Paulo.
Mas vários fatores ainda impedem este desenvolvimento. Para Gerdau, o principal desafio do Brasil é estabelecer metas de crescimento que vislumbrem de fato onde o país quer chegar.
"Temos de definir as prioridades para construir um país rico em 20 ou 30 anos", afirma. E isto é uma responsabilidade não só do governo.
"Tenho a convicção de que os empresários são o maior agente social. Ninguém faz mais do que nós", afirmou.
O que não significa que o empresário esteja satisfeito com sua performance. "Tenho dúvidas sobre o legado que estamos deixando a nossos filhos e netos."
Gerdau é crítico quanto à velocidade e estratégia de expansão do país. Para ele, o crescimento do emprego depende do crescimento econômico e isto passa por dois fatores: poupança e investimento.
"E um país que tem poupança de até 20% (do PIB) não consegue crescer mais do que 2% ao ano", afirmou, ressaltando que a China tem poupança de 40%.
"O Luciano Coutinho diz que devemos buscar uma poupança de 25%, mas acho que temos de chegar a 30%", afirmou.
O empresário sabe que não é um caminho fácil, e que depende de um posicionamento estratégico que ainda não existe.
Ele diz que o país não pode continuar crescendo com base em planos de governos que são interrompidos a cada novo mandato.
"Gestão, gestão, gestão. É do que o país precisa para ser rico", afirma. "Além de competência em governança e inteligência política."
Globalização ambiental
Gerdau identifica três grandes temas que vão nortear as discussões de sustentabilidade nos próximos anos, a globalização econômica, social e ambiental.
E o tema do meio ambiente é um dos que mais desperta conflitos.
"Quero debater o problema ambiental em nível per capita e não por cota de consumo."
Como exemplo, Gerdau cita que o Brasil tem um consumo de 100 quilos de aço per capita, na China são 300 quilos per capita e na Coreia do Sul, 800 quilos per capita.
O problema é que os países com maior consumo querem reduções percentuais na produção na mesma proporção que a de países que produzem mais.
"Os países mais desenvolvidos não querem discutir o consumo per capita, querem é que continuemos com a mesma produção", afirma Gerdau.
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