Porque a Vale virou o maior alvo do governo? Mineradora é criticada por priorizar investimentos no exterior. Mas será que é só isso mesmo?
Fornecedora de cerca de 70% do minério de ferro consumido pelas siderúrgicas nacionais, a Vale está no caminho da principal máquina de investimento do governo: a Petrobras.
Além de novos postos de trabalho que a mineradora poderia gerar com mais investimentos em siderurgia, o que mais importa são a melhoria na qualidade do aço brasileiro e, principalmente, a redução no preço do insumo.
Elas são consideradas estratégicas para viabilizar, na Petrobras, um programa de compras que realmente privilegie seus projetos.
Com interlocução direta com o presidente Lula, o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, juntou-se, recentemente, ao grupo que questiona o preço do aço brasileiro.
O embate entre a estatal e as siderúrgicas já dura cerca de três anos.
Começou com a dificuldade da Transpetro e seu presidente, Sérgio Machado, em comprar navios a preços competitivos nos estaleiros brasileiros e deve ganhar força com os investimentos previsto para a extração de petróleo da camada pré-sal.
A Vale chegou a aumentar a sua participação na Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) de 20% para 30% e tem anunciado diversos investimentos que agregam valor ao minério de ferro.
De qualquer forma, os investimentos anunciados seguem uma lógica mais econômica do que política. Os projetos têm sido desenhados para atender também o mercado externo, ou seja, a demanda da Petrobras continuará sujeita aos preços internacionais e à competição com os chineses, embora o Brasil seja o maior produtor de minério de ferro do mundo.
Na avaliação de analistas do setor, mais do que o conflito de interesse que poderia ocorrer com a mineradora disputando mercado com seus clientes, o aumento da participação da Vale na siderurgia coloca em risco o próprio sistema de benchmark dos preços do minério de ferro, bandeira que a empresa tem tentado manter também no mercado interno, mesmo depois da crise.
A Vale responde por cerca de 70% do minério de ferro consumido pelas siderúrgicas brasileiras e seu impacto no preço final do aço é de cerca de 50%.
No início desse ano, por exemplo, rechaçou a tentativa da Usiminas de atribuir ao custo do minério de ferro e do carvão a baixa competitividade do aço brasileiro.
No limite, sua participação nas duas pontas poderia ser usada tanto para criar preços artificiais para o aço quanto para alimentar os questionamentos ao sistema de benchmark.
De qualquer forma, seja Roger Agnelli ou qualquer outra pessoa que se sente na cadeira de presidente da Vale, parece claro que não poderá fugir desse debate.
A Vale é peça-chave nessa engrenagem, mas tem sido acusada pelo governo de dar passos mais tímidos do que o esperado.
Os investimentos anunciados pela empresa ou por siderúrgicas como Usiminas e Gerdau não eliminam o gargalo do aço, dizem os analistas.
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» Confira também na edição impressa:
- Eike Batista poderia colocar governo em risco
Empresário nega, no entanto, que estaria interessado em negociar controle da Vale
- Os números da Vale
Estudo feito pela própria companhia revela a evolução de seus investimentos, receitas, valor de mercado e geração de emprego nos últimos anos. Há comparações com rivais e até mesmo com o governo
US$ 10,2 bilhões |
US$ 101,1 bilhões |
US$ 37,4 bilhões |
US$ 17,6 bilhões |
62,4 mil |
|---|---|---|---|---|
| Foi o total aplicado pela Vale em 2008 em mineração, superando as principais concorrentes no mundo, como a inglesa BHP Billiton, com US$ 9,4 bilhões | É o valor de mercado da Vale estimado até 31 de julho. Entre as brasileiras, só perde para a Petrobras, avaliada em US$ 167 bilhões | Foi a receita líquida da Vale em 2008, ocupando a segunda posição, atrás apenas da Petrobras, com US$ 118,2 bilhões | Foi quanto a Vale exportou em 2008, valor quase dez vezes maior que Gerdau (US$ 1,86 bi) e CSN (US$ 1,83 bi), gigantes brasileiras do setor de siderurgia e mineração | funcionários constaram da folha de pagamento da companhia em 2008. |
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Presidente da Vale continua em alta entre os analistas financeiros, mesmo depois das críticas recebidas ultimamente. Bons dividendos gerados aos acionistas e anúncio de investimento em MG animam o mercado
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Volume transportado hoje chega a 800 mil toneladas por ano e será ampliado em 50%
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Puta matéria. Adorei ... Ficou muito loka na versão impressa. Parabéns !!!
O bicho vai pegar ... Essa disputa com a Petrobras uma hora tinha que esquentar. Apesar de tudo, Agnelli fica !!! Ele é o melhor !!!
Que tal a Petrobras tratar de investir, por exemplo, na produçao em larga escala de gasolina com padrao mundial, notadamente diminuindo a quantidade de enxofre em seu combustivel, em vez de bater em uma outra empresa, PRIVADA, que realmente faz ver o interesse de seus investidores, sem a proteçao do governo, que e dono da Petrobras e ainda dita as normas para a produçao de gasolina, por exemplo.
Renata, adorei a matéria (explica muita coisa que o Globo nem arranhou), e acho que vou adorar também o jornal, que, como você disse, está lindo! Parabéns!
Ótima matéria! Vou conferir agora a edição impressa.
Briga de gigantes.. !
Não é bem assim a questão do aço nesse embate Vale x Petrobras.
O aço responde por apenas 10% na construção de um navio. Sempre foi um problema para os estaleiros, mesmo quando estavam no auge da indústria da construção naval, por conta do prazo de entrega das chapas (4 a 5 meses) além da necessidade de estocar.
Quando o sr. Sergio Machado colocou as encomendas de 26 navios, a indústria estava praticamente desativada. Foi uma licitação com objetivos políticos. Até agora não saiu nenhum daqueles navios.
A Vale é maior que a Petrobras. Cresceu mais. O lulismo não admite isso. Vão acabar quebrando a Vale.