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A partir de hoje, o Tesouro Direto, sistema de compra e venda de títulos públicos pela internet, passa a oferecer papéis com novas datas de vencimento.
A estreia era para ter ocorrido ontem, mas foi adiada por conta de ajustes técnicos no sistema de comunicação com a BM&F Bovespa.
O rol inclui NTN-F (prefixada) com vencimento em janeiro de 2021 e NTN-B Principal (atrelada ao IPCA) com vencimento em maio de 2035, além de LFTs com prazos em março de 2013 e julho de 2015.
Deixam de ser oferecidas a NTN-F com vencimento em janeiro de 2014 e as LFTs com vencimentos em março de 2012 e janeiro de 2014.
Se tomados por base os preços dos títulos negociados no mercado secundário de renda fixa, a NTN-B Principal com vencimento em 2035 deve apresentar uma taxa próxima de 6,32% - superior, por exemplo, aos 6,24% pagos pela NTN-B Principal com vencimento mais curto, em agosto de 2024.
O cálculo pode até parecer natural, já que pela lógica das aplicações financeiras, um título de longo prazo embute risco maior e, para compensar, paga também um prêmio maior. Mas não é bem assim que funciona a lógica para os papéis que acompanham a variação da inflação.
"O preço reflete, na verdade, a taxa nominal de juro, que lá na frente tende a ser inferior à praticada hoje", explica Ures Folchini, vice-presidente de tesouraria do banco WestLB. "Mas como os lotes negociados no Tesouro Direto costumam ser bem menores do que os lotes do mercado secundário, não necessariamente os novos títulos vão sair pelo mesmo preço", ressalta ele.
O balanço mais recente do Tesouro Direto (de janeiro) mostra que os títulos indexados ao IPCA (NTN-B e NTN-B Principal) estão em segundo lugar entre os mais vendidos, com participação de 28,48% no total.
Flávia Barbosa, gerente-adjunta de relacionamento institucional do Tesouro Nacional, lembra que a nova NTN-B Principal tem o maior prazo de vencimento entre as existentes (2015 e 2024).
"O investidor do Tesouro Direto gosta de comprar títulos com prazos mais longos, com o objetivo de formação de poupança", diz.
Prefixados
Apesar de todo burburinho acerca do aumento da Selic, os campeões de vendas no Tesouro Direto continuam sendo os títulos prefixados, que possuem rentabilidade definida no ato da compra.
A participação desses títulos somou 62,25% das vendas realizadas em janeiro. "A elevação de taxas ocorre com todos os ativos da economia, inclusive os prefixados", ressalva Flávia.
Acrescente-se o fato de que os últimos relatórios de inflação têm apresentado uma aceleração menor do que a esperada, e essa leve reversão de expectativa já está sendo refletida no mercado futuro de juros.
Daí a expectativa positiva também em torno da aceitação da nova NTN-F com vencimento em janeiro de 2021, que deve apresentar uma taxa em torno de 12,97%, considerando os valores praticados no mercado secundário.
Vale lembrar, no entanto, que as NTN-Fs pagam juros semestralmente. Por isso, a taxa de retorno incide sobre um montante menor de recursos, afetando, assim, a rentabilidade final.

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