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Estratégias

Na mira da BHP, Potash quer extrair potássio da Amazônia

Domingos Zaparolli   (dzaparolli@brasileconomico.com.br)
27/08/10 16:41


O que ainda está por ser determinado é o tamanho da reserva e a viabilidade econômica da exploração, estudos que exigirão um ano de trabalho

O que ainda está por ser determinado é o tamanho da reserva e a viabilidade econômica da exploração, estudos que exigirão um ano de trabalho

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Expectativa da empresa é extrair 2 milhões de toneladas anuais do minério. A exploração na Amazônia, caso seja bem-sucedida, colocaria o país entre os maiores produtores de potássio do mundo.

A canadense Potash, empresa que se tornou alvo das principais mineradoras internacionais, inclusive da brasileira Vale, depois que a BHP Billiton fez uma oferta hostil de US$ 38,6 bilhões por seus ativos, está à frente de um dos mais promissores e polêmicos projetos de prospecção mineral na Amazônia.

Em Nova Olinda (AM), às margens do Rio Madeira, a empresa, por meio de sua controlada Potássio do Brasil, iniciou em janeiro investimentos de US$ 100 milhões em sondagens para confirmar a existência no local de jazidas de potássio, um dos principais insumos utilizados nos fertilizantes.

Se for bem sucedida nessa iniciativa, o interesse pela canadense deve crescer e os ativos da companhia podem se tornar estratégicos para os planos da Vale, única produtora brasileira de potássio.

A Potash, que pertence ao banco Forbes & Manhattan, é uma das maiores produtoras mundiais do minério, com produção anual de 20 milhões de toneladas.

Hélio Diniz, presidente da Potássio do Brasil, em conversa com o Brasil Econômico no primeiro semestre do ano, informou que a empresa sabe que há potássio na região.

O que ainda está por ser determinado é o tamanho da reserva e a viabilidade econômica da exploração, estudos que exigirão um ano de trabalho.

A expectativa da empresa é estruturar uma exploração mineral de 2 milhões de toneladas de cloreto de potássio por ano, o que exigirá um investimento de US$ 2 bilhões.

O projeto é polêmico por que, na opinião de especialistas, como o geólogo Éder de Souza Martins, da Embrapa Cerrados, a exploração mineral pode gerar um passivo ambiental de grande vulto.

A extração exigiria a perfuração de canais profundos, por onde seria injetada água quente para tornar solúveis os sais minerais depositados na jazida, o cloreto de potássio e de sódio, o que resultaria em uma grande quantidade de resíduos salinos despejados nas águas doces do Madeira.

Em área contigua às da Potássio do Brasil, a Petrobras detém o direito de exploração de 300 mil hectares onde a presença do minério já foi constatada. Mas a estatal ainda não definiu fará a exploração.

Além do risco ambiental, analistas avaliam que a logística da exploração amazônica pode encarecer o valor da produção.

A favor da exploração do minério na Amazônia está o governo brasileiro, que, em várias ocasiões nos últimos anos, pressionou publicamente a Petrobras a retomar seus projetos na região, e incentivou a Vale a ampliar seus programas no setor.

O potássio é um dos três nutrientes básicos dos fertilizantes, sendo os outros fósforo e nitrogênio. E o Brasil enfrenta no insumo sua maior dependência, importando 90% de suas necessidades.

Na avaliação de técnicos do governo, a Amazônia tem potencial para colocar o Brasil entre os maiores produtores mundiais, ao lado de Canadá e Rússia.


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