Na agenda do novo (ou da nova) presidente da República existem compromissos que, independentemente do nome ou do partido vencedor, não podem mais ser adiados. São reformas essenciais, que vêm sendo proteladas há pelo menos duas décadas mas que se tornaram inadiáveis diante do volume de problemas que podem causar no futuro.
Ninguém consegue enxergar o Brasil entre as cinco maiores economias do planeta com um sistema tributário tão esquizofrênico e um modelo de previdência tão anacrônico quanto os atuais.
Nos últimos anos, essas questões frequentaram os discursos de políticos de todas as agremiações. Por mais palavras de apoio que tenham merecido, não houve nem por parte do governo nem por parte da oposição o interesse verdadeiro em colocá-las para funcionar.
Fazer as mudanças necessárias não será fácil. Elas exigirão um grande empenho e muita articulação política e os benefícios que trarão talvez demorem a aparecer.
Como há poucas situações nesse mundo que amedrontam mais os políticos do que uma providência que não dê frutos evidentes dentro de seu próprio mandato, é provável que o(a) vencedor(a) sinta-se tentado a adiá-las. Mas, com toda certeza, serão essenciais para a construção de um novo país - e só por essa razão, devem ser postas no topo das prioridades do(a) próximo(a) presidente.
Diga-se, em defesa dos políticos, sempre criticados pela lentidão com que se dedicam aos temas mais espinhosos, que eles não são os únicos a evitar se mexer para modernizar o país.
Veja, por exemplo, a resistência que as empresas estão oferecendo ao avanço da Lei das Sociedades Anônimas.
Mexer nessa lei é importante porque a BM&FBovespa já alcançou os resultados que eram possíveis com o modelo de autorregulamentação do chamado Novo Mercado.
Esse modelo, como se sabe, cobra das empresas - para dar mais segurança aos investidores que adquirem suas ações - mais transparência na hora de prestar contas ao mercado.
Os defensores do Novo Mercado acreditam que, a partir de agora, as mudanças só acontecerão com alterações na própria Lei das S.A. Mas algumas empresas temem abrir seus números.
Como se vê, não é só o governo que precisa mudar a mentalidade.
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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico
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