Segundo o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, a elevação da dívida sem corte de gastos prejudica a economia
Comunidade
A agência de classificação de risco Moody’s ameaçou rebaixar a nota da dívida dos Estados Unidos, caso o Congresso não chegue a um acordo para elevar o teto do endividamento público.
A dívida pública dos Estados Unidos atingiu o teto permitido pela constituição do país, em US$ 14,3 trilhões. Para elevar esse limite, o governo precisa de autorização do Congresso, que exige cortes de gastos públicos para alterar a lei.
"Um fracasso em chegar a um acordo nas atuais negociações aumentaria as chances de uma revisão negativa no curto prazo, pois a trajetória de elevação da dívida seria mantida. Atualmente, esse parece ser o desfecho mais provável", declarou a Moody's em nota.
Atualmente, a dívida pública americana tem nota Aaa, a mais elevada na escala da agência.
O debate está acalorado no congresso americano. Na quarta-feira (1/6), o presidente da Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados), o republicano John Boehner, reuniu 150 economistas em um abaixo assinado, exigindo que o aumento do limite da dívida seja atrelado a cortes "significativos" de gastos e reformas no orçamento.
Os republicanos possuem maioria na câmara dos deputados, e nem mesmo os democratas estabeleceram um consenso. Na última votação na Câmara dos Representantes, a proposta de elevar o teto foi rejeitada por 318 votos a 97.
"Muitos políticos usam isso como uma alavanca política, mas ambas as partes vão evitar uma moratória", diz Marcelo Mello, professor de economia do Ibmec Rio de Janeiro.
No ano passado, o déficit público dos EUA atingiu cerca US$ 1,3 trilhão - praticamente o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de um ano inteiro, ou seja, todos os bens e serviços produzidos por aqui no período. A estimativa é de que o déficit tenha atingido 10% do PIB americano, e para este ano a projeção é de que atinja cerca de 9%.
O argumento dos republicanos é que a elevação do endividamento sem uma melhora nas contas públicas prejudicaria a economia.
"Um aumento no endividamento nacional que não seja acompanhado por cortes significativos e reformas orçamentárias causaria danos ao crescimento dos empregos no setor privado", diz trecho da carta divulgada por Boehner.
Para os congressistas, o aumento indiscriminado nos gastos públicos tem efeito de elevar os juros reais para as empresas, prejudicando o setor.
"Se o governo gasta muito e aumenta a dívida, os agentes começam a cobrar juros mais altos, e isso afeta o setor privado", explica Arilton Teixeira, professor de economia da Fucape Business School. "É claro que há uma motivação política, mas cortar o déficit é necessário."
Último momento
O debate sobre a elevação dos gastos deve se estender pelos próximos meses. Em carta enviada ao congresso americano, o Tesouro dos Estados Unidos afirmou que possui recursos para manter o país funcionando até o dia 2 de agosto.
Além desse limite, o país seria obrigado a decretar moratória por ser incapaz de rolar sua dívida, o que, segundo comunicado da entidade, geraria consequências "catastróficas".
"É muito improvável que os políticos levem o governo a decretar uma moratória técnica", diz Mello.
Até agosto, a principal opção para o governo americano é suspender os aportes nos fundos de aposentadoria de seus funcionários.
"Os políticos vão levar essa discussão até o último momento, para tentar extrair o máximo dela", prevê Mello.
Gastos públicos
No entanto, no debate político, há poucas chances de que sejam acordados cortes nos gastos de longo prazo, que realmente pesam no orçamento do governo. "O grande passivo dos EUA está associado aos programas de saúde, como Medicare e Medicaid, e a seguridade social", afirma Mello.
O avanço nos gastos públicos dos Estados Unidos se agravou com a crise financeira mundial. A partir de então, uma série de programas foi aprovada para estimular a economia.
"Durante a crise, o governo assumiu muita dívida. Os balanços das empresas melhoraram muito, mas o setor público ficou endividado", explica Mello.
Contudo, a geração de empregos no país ainda é frágil. Em abril, a taxa de desemprego estava em 9%.
Na sexta-feira (3/6), será divulgada a taxa de desemprego para o mês de maio, e não é esperado que o indicador melhore.
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Tenho acompanhado o noticiario do Brasil Economico e quero parabeliza-los pela materia sobre o endividamento dos EUA, porque afeta as Bolsas e todo planeta.
Um abraço
Samuel