A Petrobras, com base no Rio de Janeiro, se tornou a principal trava para o Ibovespa
Comunidade
O crescimento econômico mais forte desde 1995 e a maior queda nos múltiplos das ações brasileiras em comparação com outros mercados emergentes não têm sido suficientes para convencer os maiores investidores do mundo de que as ações do país estão baratas.
Mesmo Mark Mobius, da Templeton Asset Management, receia que a enxurrada de ações que entrarão no mercado, liderada pela emissão de US$ 25 bilhões planejada pela Petrobras para setembro, possa limitar os ganhos após o Ibovespa cair 4,1% neste ano.
A Baring Asset Management espera um aumento no controle do governo sobre a economia por Dilma Rousseff, a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Schroders e a Prudential Financial dizem que o crescimento já atingiu seu auge com a alta dos juros.
Administradores que supervisionam US$ 1 trilhão em ativos dizem que ainda é cedo para aumentar os investimentos no Brasil, mesmo depois que melhores perspectivas para os lucros e preços mais baixos das ações derrubaram a relação preço-lucro do Ibovespa de 14,3 no início do ano para 11,2, como mostram dados da Bloomberg.
Essa é a maior queda entre os 21 mercados incluídos no índice de países em desenvolvimento da MSCI.
"O que aconteceu é que o mercado se antecipou e subiu mais que o esperado, e é uma correção natural", disse Mobius, que supervisiona cerca de US$ 34 bilhões na Templeton em Cingapura, em entrevista por telefone em 14 de julho.
As empresas brasileiras estão "em busca de dinheiro e isso tem um efeito negativo natural sobre o mercado", afirmou.
Recuo do Ibovespa
A retração do Ibovespa é a terceira maior entre os índices de ações das principais nações emergentes, atrás da queda de 22% do Shanghai Composite Index chinês e do recuo de 6,4% do Taiex Index de Taiwan.
O MSCI All-Country World Index caiu 4,6%, refletindo sinais de que os cortes de gastos dos governos europeus e os esforços da China para reduzir a especulação imobiliária deverão reduzir o ritmo do crescimento mundial.
As ações dos setores de consumo e bancário do Brasil caíram de níveis próximos às máximas históricas após o Banco Central elevar três vezes a taxa Selic este ano e depois da emissão de R$ 9,76 bilhões em novas ações pelo Banco do Brasil.
A Petrobras, com base no Rio de Janeiro, se tornou a principal trava para o Ibovespa. O valor de mercado da estatal encolheu US$ 48 bilhões, ou 24%, por conta do receio de que o governo forçará a empresa a pagar mais do que o esperado por investidores por reservas de petróleo, como parte de sua emissão de ações.
"Ventos contrários"
Os múltiplos das ações brasileiras "provavelmente se tornaram mais atraentes, mas com as taxas de juros e o suspense sobre a Petrobras, os investidores podem não estar preparados para voltar tão facilmente", disse John Praveen, que ajuda a supervisionar US$ 683 bilhões como estrategista-chefe de investimentos da Prudential International Investments Advisers, de Newark, Nova Jersey.
"O mercado está enfrentando vários ventos contrários."
Com preço 11,2 vezes superior aos lucros estimados para os próximos 12 meses, o Ibovespa é negociado com desconto de 35% em relação ao Bombay Stock Exchange Sensitive Index da Índia, cujo múltiplo está em 17,4, segundo informações da Bloomberg.
Na China, o Shangai Composite apresenta múltiplo de 15 e, no México, o índice IPC está com relação preço sobre lucro de 14. Na Rússia, o índice Micex é negociado a um preço 7,2 superior que os lucros esperados, mostram os dados da Bloomberg.
Comentários
Últimas Notícias
- 21:00
Encerramento do Noticiário - 20:59
Pressão negativa na bolsa brasileira deve permanecer - 20:40
Suzano tem produção impactada por parada não programada - 20:29
Twittadas da semana - 20:16
MLS tem crescimento, com público maior que o do Brasileirão - 20:00
Light Energia adquire 51% da Guanhães Energia - 19:48
Eficiência da Coca-Cola vai reerguer Neugebauer









