O Centro de Empreendedorismo do Senac-SP foi escolhido pelos participantes da Rodada de Educação Empreendedora, realizada pelo Instituto Empreender Endeavor no ultimo mês de outubro, como o melhor entre as universidades brasileiras que investem em educação empreendedora.
O evento reuniu professores de empreendedorismo de todo o país para troca de experiências, metodologias e práticas institucionais.
Daniel Correa coordena o Centro de Empreendedorismo do Senac-SP há três anos. Sua função é definir estratégias e implementar ações que estimulem o empreendedorismo na rede de ensino universitário e técnico da instituição.
Desde 2006, a instituição oferece capacitação de cultura empreendedora para os professores. Nesse período, mais de 1.200 professores foram capacitados e 850 participam de uma comunidade virtual, criada para consolidar a educação empreendedora.
Os funcionários e técnicos do Senac também são treinados e estimulados a desenvolver a atitude empreendedora. O número mais impactante, no entanto, são os cinco mil alunos envolvidos em cursos, competições, premiações, visitas internacionais e empresas juniores.
Reconhecer o mérito de quem faz o melhor é o sentido da premiação da Endeavor. Com isto, a entidade contribui para que práticas de qualidade sejam divulgadas e multiplicadas em outras escolas.
Trata-se de uma forma de reconhecimento de mérito, algo que, por si só, já tem um impacto pedagógico considerável. A meritocracia é um elemento forte na maioria das sociedades em que prevalece uma cultura empreendedora.
Por esse princípio, o sucesso não cai do céu, mas é consequência do mérito de cada um. Se o reconhecimento público da qualidade das suas realizações parte de especialistas da própria área de conhecimento do premiado, o valor é maior ainda.
Além de ser motivo de orgulho, estas premiações despertam a responsabilidade com as futuras ações e seu impacto social.
A ideia do mérito entendido como esforço, talento e competência ainda é uma novidade na nossa cultura. A nova geração de empreendedores que surge neste movimento educacional precisa ajudar a estruturar esta mudança cultural.
Os jovens estão diante da oportunidade de vitória por sua inteligência e pelos resultados produzidos por seu talento. Isso é uma revolução numa sociedade onde os laços familiares ou associativos são as principais portas de acesso à elite e a posição de empresário tinha pouco valor nos meios acadêmicos.
O nosso sistema cultural ainda rejeita a responsabilidade, competição e avaliação de desempenho no trabalho. E muitas vezes atribui um valor negativo ao processo de valorização do mérito.
Só recentemente o trabalho passou a ter o significado de realização pessoal, abrindo possibilidades para que ideias meritocráticas e atitudes empreendedoras façam parte das organizações.
Ser o melhor por si só não basta. O mérito deve estar junto com a responsabilidade para produzir impacto positivo no contexto social.
Quanto maior for o numero de professores e escolas premiadas por suas realizações empreendedoras, que assumam a responsabilidade de compartilhar suas conquistas, mais saudável será a mudança cultural.
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Mara Sampaio é psicóloga e especialista em cultura empreendedora
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