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Marcelo Mariaca

Mentiras no currículo

27/03/10 07:10 | Marcelo Mariaca - Presidente da Mariaca



O Projeto de Lei nº 6561/09, que tramita na Câmara dos Deputados, estabelece pena de dois meses a dois anos de detenção para quem inserir informações falsas no currículo para satisfazer interesse pessoal, causar danos a terceiros ou habilitar alguém a obter cargo, emprego ou qualquer outra vantagem.

Essa é uma prática mais comum do que se imagina. No ano passado, até a ministra Dilma Rousseff, candidata a presidente da República, foi acusada de ter lustrado o currículo com título acadêmico que não detém.

Nada grave como o caso de Antonio Romero Lago. Condenado como mandante de assassinato no Rio Grande do Sul em 1944, falsificou identidade e currículo, fez carreira no Ministério da Justiça e chegou a ser chefe da Censura Federal no governo militar, cargo que lhe dava o poder discricionário de proibir a exibição de qualquer filme no País. Aliás, seu nome verdadeiro era Hermelindo Ramirez Godoy.

Segundo levantamento do britânico Financial Times, uma em cada três pessoas adota a tática de fraudar currículo para se tornar mais competitiva.

Conduzida pela Control Risks Group, a pesquisa acompanhou 10 mil programas de seleção e concluiu que 34% dos candidatos mentiram no histórico profissional, enquanto 32% forjaram dados acadêmicos. Entre os flagrados, 40% buscavam cargos executivos.

Candidatos a emprego devem expressar nos currículos, de forma incisiva, sua titulação, competências, habilidades e conquistas. Há quem goste de inflar sua experiência ou certas aptidões, mas essa é uma estratégia de risco.

Mesmo que passe pela fase de seleção via currículo, poderá ser desmascarado durante a entrevista. Um dos exemplos mais comuns é o candidato colocar no currículo que tem inglês fluente, quando na realidade seu nível de domínio é apenas avançado.

Em boa parte das empresas ele será submetido a um teste e poderá passar por um vexame. Pior: poderá ser testado na prática, em um conference call, e perder o emprego.

As empresas têm mecanismos para filtrar os melhores currículos, analisando a experiência anterior do candidato, cargos que ocupou, trabalhos e projetos de que participou e as vivências que julgam relevantes.

Mentir é contraproducente, pois as empresas têm como checar as informações, muitas vezes consultando os empregadores anteriores do candidato.

É preciso saber dosar o marketing pessoal, ou seja, valorizar o que fez de importante na vida profissional e aptidões como capacidade de liderar, de se comunicar ou de ter visão estratégica do negócio. Mas o currículo deve ser coerente. Não há como dizer que tem capacidade de liderança se nunca chefiou uma equipe.

Um erro comum é elencar participações em uma enxurrada de palestras, encontros ou congressos que nada têm a ver com a vaga que se pretende conquistar. Ou querer que uma viagem de uma semana a passeio com a família em Orlando seja entendida como experiência internacional.

Esses truques aumentam o número de páginas, mas não influenciam quem vai contratar. Inflar currículo, com fraude ou informações irrelevantes, é dar tiro no pé.

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Marcelo Mariaca é presidente da Mariaca e professor da Brazilian Business School


Comentários

Marcel Zampieri Gimenez, Jundiaí-SP | 09/03/12 11:37
Excelente matéria. Ainda acredito no poder da qualificação para conseguir uma colocação no mercado (recolocação, no meu caso). Mesmo ciente de que atualmente um currículo muito "rico", forte, pode te eliminar de processos seletivos, caso o solicitante da vaga se sinta "ameaçado", ao avaliar o conteúdo do seu currículo... Os profissionais têm que acreditar que aqueles que estão em busca de uma oportunidade estão em busca da aquisição de novos conhecimentos, o desenvolvimento de uma nova expertise/habilidade, e contribuir para o crescimento da empresa. É preciso acreditar mais nas pessoas !


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