Fatores de Atenção
| O risco de “double dip” na economia americana — um novo mergulho antes da recuperação — está no radar da Moody’s, ao afirmar que mantém “otimismo cauteloso” com relação aos ratings na América Latina. | |
| Outro fator de preocupação está no risco soberano na Europa. Sendo os países europeus importadores da China, uma crise por lá tenderia a reduzir o consumo dos produtos chineses, o que resultaria em demanda menor pelas commodities latino-americanas. |
Para Goossens, melhora na qualidade do crédito das empresas foi mais rápida do que se esperava
Comunidade
A agência de classificação de risco Moody’s fez 2,5 revisões positivas de rating para cada negativa no primeiro semestre, contra 3,7 revisões negativas para cada positiva no mesmo período do ano passado.
O reflexo da melhora no ambiente macroeconômico da América Latina se mostrou, claramente, na evolução do risco de crédito das empresas da região durante o primeiro semestre.
Entre janeiro e junho, a agência de classificação de risco Moody's registrou 20 "ações positivas de rating" de companhias latino-americanas.
O número considera tanto as elevações das notas de crédito das empresas (ou de emissões específicas de dívida), que foram cinco, quanto as revisões positivas de perspectiva de crédito (que precedem um aumento do rating). Ao mesmo tempo, as "ações negativas de rating" somaram oito.
A melhora dos ratings - que, grosso modo, indica a capacidade que um emissor de dívida tem de honrar com os compromissos - dá continuidade a um movimento iniciado em julho do ano passado, diametralmente oposto ao verificado no primeiro semestre de 2009.
Naquele período, as elevações de ratings e perspectivas foram apenas dez, contra 37 rebaixamentos - uma taxa de 3,7 eventos negativos para cada positivo, contra a taxa atual de 2,5 eventos positivos para cada negativo, destaca relatório sobre o assunto preparado pela Moody's.
A perspectiva da instituição é de que a manutenção dessa tendência traga novos emissores para o mercado de crédito latino-americano, em especial para o brasileiro.
Possíveis candidatas seriam companhias que abriram o capital recentemente, ainda sem o almejado "grau de investimento" (nota de baixo risco de crédito).
Surpresa
"Tanto a velocidade quanto a magnitude do grau da melhora da qualidade de crédito das empresas latino-americanas foram maiores do que esperávamos. Foi uma surpresa", afirma o vice-presidente sênior da Moody's no Brasil, Filippe Goossens, ao Brasil Econômico.
Um conjunto de fatores explica a situação. De um lado, o histórico de crises financeiras na região fez com que os países reduzissem a dívida, permitindo flexibilidade de atuação.
Com isso, os governos puderam desenvolver programas específicos - no Brasil, Goossens lembra da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de carros novos e ressalta o papel dos bancos públicos na concessão de crédito às empresas num momento de falta de confiança global.
Do outro lado, o sistema financeiro latino-americano estava mais capitalizado que o de países desenvolvidos, assim como um número de companhias locais se encontrava em situação financeira, diga-se, mais confortável.
Efeito China
Além da ação dos agentes locais, a recuperação dos ratings das empresas da América Latina deve muito ao "efeito China".
Países como Brasil, Chile e Peru - onde as exportações das companhias produtoras de commodities (matérias-primas) são muito expostas ao mercado asiático - se beneficiaram tanto da fraqueza da moeda local durante a crise quanto de agressivos pacotes de estímulo econômicos lançados pelo governo chinês.
Não por outra razão, a continuidade do crescimento da China é considerado um dos fatores de atenção para o futuro da qualidade do risco de crédito corporativo latino-americano. "Estamos cautelosamente otimistas", afirma Goossens.

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