Empreendedorismo

Mandalah promove a inovação consciente

Regiane de Oliveira   (roliveira@brasileconomico.com.br)
16/08/11 17:43


O cachorro Shivah, especialista em pessoas, entre os sócios Lourenço Bustani (esquerda) e Igor Botelho (direita)

O cachorro Shivah, especialista em pessoas, entre os sócios Lourenço Bustani (esquerda) e Igor Botelho (direita)

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Consultoria, de métodos pouco ortodoxos, atua na criação de produtos e serviços com foco em mudar a relação das empresas com as pessoas e o meio ambiente.

Imagine uma empresa que apresentou crescimento de 157% no faturamento de 2009 para 2010, sem qualquer aquisição no mercado.

Nasceu com um investimento modesto (R$ 50 mil) e cinco anos depois mantém estrutura enxuta (45 funcionários), sem ser uma startup de tecnologia, dessas que ficam famosas do dia para a noite e logo são vendidas.

Atende gigantes como Petrobras, Nike, GM e Pepsi, mas não é do mercado financeiro. Conta unidades em São Paulo, Tóquio, Nova York e Cidade do México, sempre com um foco: as pessoas, suas necessidades, desejos e preocupações - de hoje e de amanhã.

E mais, quais as estratégias das empresas para lidar com estas necessidades. Parece pouco palpável? Pois o negócio da Mandalah é exatamente tornar palpável um dos ativos mais cobiçados pelas empresas hoje em dia: a inovação. E não é qualquer tipo de inovação.

"Escolhemos o setor privado para promover o que chamamos de inovação positiva", conta o administrador Lourenço Bustani, um dos fundadores da empresa. "Por traz de cada planilha existe uma pessoa, por isso as empresas precisam sair do nível raso do incentivo ao consumo", completa o co-fundador e publicitário Igor Botelho.

Os empreendedores partem do princípio de que novas ideias só acontecem por meio de um olhar humanista - o "h" do nome da empresa representa exatamente o homem ocultado nas relações de consumo.

O "oceano azul" da empresa - conforme teoria desenvolvida por René Mauborgne e Chan Kim -, é atuar exatamente com o efeito positivo que determinada empresa pode causar na sociedade com suas ações.

A Mandalah trabalha apenas com empresas, entidades governamentais ou filantrópicas que tenham como foco mudar sua forma de se relacionar com as pessoas e com o meio ambiente.

"Somos contratados para ser uma semeadora de inovação dentro da empresa", diz Bustani. E este trabalho começa em casa. Literalmente, na casa escolhida para acolher a equipe, um aconchegante sobrado na Vila Madalena, em São Paulo.

O time é formado por profissionais com experiência em diversas áreas - psicólogos, engenheiros, DJs, cientistas políticos, cozinheiros, e um especialista em pessoas, o cachorro Shivah - assim, com "h"-, que é o CCO (Chief Canine Officer).

Todos munidos de filosofias orientais, como o budismo, novas teorias de inovação, e muitas parcerias que ajudam a dar o ar híbrido ao negócio, que é parte agência, parte consultoria, parte empresa de pesquisa.

A cultura de viajar, inclusive, faz parte da estratégia da empresa, que foi criada antes dos sócios ficarem cansados do modelo de trabalho tradicional - "trabalho para viver" ou "vivo para trabalhar". "De Inhotim ao Moma podemos aprender grandes coisas, expandir nossa rede de contatos. Buscamos inspiração onde as outras empresas não vão", explica Botelho.

Mais de 30 empresas estão na carteira de clientes da Mandalah. É deles, por exemplo, o trabalho de criação de um novo segmento bancário do HSBC, o Advance, que está posicionado abaixo do Premier, voltado para atender a classe média emergente do país.

O estudo contou com uma vivência etnográfica na vida de pessoas que se enquadram neste perfil, o que resultou, entre outras coisas, em um filme documental de 20 minutos. "Este trabalho foi marcante porque ele representou uma certa ruptura do conceito de banco e requalificou a relação que as pessoas têm com instituições financeiras", explica Botelho.

O projeto virou benchmark para o banco no mundo e foi exportado para Nova York, Londres e Hong Kong.

Para a Petrobras BR, a Mandalah mergulhou em um universo pouco conhecido pelas empresas de transporte: o dos motociclistas. A ideia foi criar uma estratégia (posicionamento, produtos, serviços, comunicação) direcionada para este público.

Outro estudo global que foi entregue em julho deste ano para a GM é sobre o futuro da mobilidade urbana, um projeto que contou com uma equipe multidisciplinar de designers do mundo todo que se juntaram para definir os futuros cenários para indústria.

"Uma fase do projeto foi conduzida na casa de praia da Mandalah em Juqueí (litoral Norte de São Paulo), onde fazemos workshops periodicamente", diz Botelho.

Afinal, quem disse que para inovar é preciso ficar trancado no escritório?


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