Ticker Bolsa 1

Ticker Bolsa 2

URGENTE

Lucro da CSN cai 54,9% em 2009, para R$ 2,59 bilhões

Marcel Salim   (msalim@brasileconomico.com.br) - Colaborou Micheli Rueda e Reuters | Atualizada às 01h12
26/02/10 00:25


Benjamin Steinbruch é presidente da CSN

Benjamin Steinbruch é presidente da CSN

Collapse

Comunidade

Partilhe: del.icio.us   Digg   Facebook   TwitThis   Google   Mixx   Technorati  

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que não teve sucesso na Oferta Pública de Aquisição (OPA) pela portuguesa Cimpor, anunciou um lucro líquido de R$ 745 milhões no quarto trimestre de 2009.

A cifra é 81,06% inferior frente ao visto em igual período de 2008. No acumulado de 2009, a empresa contabilizou um lucro líquido de R$ 2,598 bilhões, 54,9% menor ante os R$ 5,774 bilhões vistos um ano antes.

Em comunicado ao mercado, a empresa explicou que o recuo no lucro durante o exercício de 2009, em termos anuais, ocorreu por conta do efeito positivo não recorrente em 2008 do ganho de R$ 4,04 bilhões, decorrente da variação percentual de equivalência patrimonial referente à alienação de 40% do capital social da Namisa; e por causa da redução de R$ 2,79 bilhões do lucro bruto, pelo impacto da crise econômica, principalmente no primeiro semestre do ano passado.

A receita líquida da companhia sofreu um recuo de 9,79% no último trimestre de 2009 e de 21,59% no acumulado do ano passado, em comparação à iguais períodos de 2008, para R$ 3,056 bilhões e R$ 10,978 bilhões, respectivamente.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 1,203 bilhão entre outubro e dezembro de 2009. A cifra é 18,17% menor frente ao visto um ano antes (R$ 1,470 bilhão). Já o Ebitda no acumulado do ano passado tombou 44,90%, em termos anuais, para R$ 3,606 bilhões.

A margem Ebitda recuou de 46,7% em 2008 para 32,8% em 2009.

  • Produção

Em nota enviada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a CSN informou que tanto a produção de aço bruto como a de laminados foram afetadas pela retração econômica vista no início de 2009.

Segundo a companhia, mesmo com a recuperação iniciada a partir do segundo semestre do ano passado, a produção de aço bruto da CSN atingiu 4,371 milhões de toneladas no exercício de 2009, ficando 12% inferior frente às 4,985 milhões de toneladas registradas em 2008.

A produção de laminados totalizou 4,109 milhões de toneladas no ano passado, sofrendo uma redução de 9% em relação às 4,520 milhões de toneladas produzidas em 2008.

Ainda na comparação anual, a CSN revelou que foram produzidas e comercializadas 338 mil toneladas de cimento no ano de 2009, com uma capacidade instalada de moagem de 2,8 milhões de toneladas.

  • Vendas

Em 2009, o volume vendido foi de 4,1 milhões de toneladas, uma redução de 16% em comparação ao mesmo período de 2008.

O volume comercializado de aços planos no quarto trimestre do ano passado foi de 1.200 mil toneladas, registrando queda de 9% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

  • Ratings

Em nota enviada aos clientes, a Moody's Investors Service confirmou ontem (25) os ratings corporativos Ba1 na escala global e Aa1.br na escala nacional brasileira da CSN, e revisou a perspectiva para estável.

A Moody's justificou que o rating Ba1 da CSN reflete a posição de liderança da empresa na indústria de aços planos no Brasil, com um portfólio favorável focado em produtos de alto valor agregado.

"Historicamente, a empresa tem reportado fortes margens de Ebitda, suportada por sua sólida posição no mercado doméstico e custos de produção competitivos globalmente. A eficiência operacional da CSN e seus baixos custos de produção refletem a larga escala de sua planta integrada, sua mina cativa de minério de ferro, auto-suficiência em eletricidade e 75% de auto-suficiência em coque".

A última ação de rating da Moody's em relação à CSN ocorreu em 22 de dezembro de 2009, quando todos os ratings da empresa foram colocados em revisão para possível rebaixamento subsequentemente ao anúncio do lançamento de uma oferta pública para a aquisição de até 100% das ações da Cimpor, por um valor aproximado de € 3,86 bilhões, adicionalmente à assunção de aproximadamente € 1,8 bilhão em dívida líquida.

  • Disputa pela Cimpor

A CSN fracassou no dia 22 de fevereiro em sua oferta de compra de participação na Cimentos de Portugal (Cimpor).

A OPA da CSN foi lançada em 18 de dezembro de 2009 por um preço de € 5,75 por cada ação da Cimpor. Posteriormente, a oferta foi revisada para € 6,18 por cada papel da cimenteira portuguesa.

Nas duas ocasiões as propostas foram rejeitadas pelo Conselho de Administração da Cimpor.

Na última segunda-feira, a siderúrgica brasileira recebeu intenções de venda por parte de acionistas representativos de apenas 8,56% do capital da companhia europeia, não atingindo o patamar mínimo de pelo menos um terço do capital da Cimpor mais uma ação.

Desta forma, a oferta da CSN ficou sem efeito e a siderúrgica brasileira não comprou qualquer ação.

O sucesso da oferta da CSN foi inviabilizado após Votorantin e Camargo Corrêa terem respondido à investida da estreante no mercado de cimentos, comprando agressivamente participações relevantes do capital da maior empresa do setor de Portugal e terceira maior do Brasil.

A CSN recorreu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para sustar no Brasil os efeitos dos acordos acionários acertados por Votorantim e Camargo Corrêa. O grupo siderúrgico iniciou sua primeira operação comercial de cimento no país em meados do ano passado, em Volta Redonda (RJ).

Segundo a queixa da CSN ao Cade, a união de Votorantim e Cimpor no mercado brasileiro implicaria "concentrações graves" entre 60% e 80%, sobretudo no Nordeste, Centro-Oeste e Sul do país.

A Secretaria de Direito Econômico (SDE) recomendou ao órgão medida para evitar mudanças no setor de cimento brasileiro ao identificar potencial grave de lesão à concorrência no país. A SDE ainda investiga suposta formação de cartel na indústria de cimento nacional.

  • Siderúrgicas em alta

As ações ordinárias da CSN (CSNA3) terminaram a quinta-feira (25) com valorização de 2,02%, cotadas a R$ 58,00. O dia foi marcado pelos fortes avanços nos papéis siderúrgicos, que lideraram os ganhos do Ibovespa.

O principal índice acionário brasileiro registrou valorização de 0,50%, para 66.121,04 pontos, na contramão do mercado externo. O destaque na sessão foi protagonizado pelas siderúrgicas Usiminas e Gerdau.

"Ambas as empresas tiveram resultados acima do esperado e ajudaram na retomada [do índice paulista]", avaliou Pedro Galdi, analista de investimento da SLW Corretora.

As ações ordinárias da Usiminas (USIM3) subiram 5,81%, fechando a R$ 49,73. Já os papéis preferenciais da mesma companhia (USIM5) ganharam 5,18%, vendidos a R$ 49,75.

A Ágora Corretora e o BB Investimentos recomendaram ontem a compra do papeís da Usiminas. A indicação aconteceu após o anúncio de resultados expressivos da siderúrgica, que teve alta de 39,5% no lucro líquido do quarto trimestre, ante período imediatamente anterior.

Ainda em terreno positivo, os papéis da Gerdau Metalúrgica (GOAU4) tiveram o terceiro maior ganho da sessão, ao subirem 4,61%, vendidos a R$ 32,90. Na continuação apareceram as ações preferenciais da Gerdau (GGBR4), com alta de 4,02%, cotadas a R$ 26,12.

A empresa lucrou R$ 643 milhões no quarto trimestre do ano passado, uma melhora de 106% ante o resultado visto igual período no ano anterior.


Comentários

neme, volta redonda | 05/05/10 15:24
enquanto o lucro é absurdo, os funcionários têm salários de fome. fora enéas


Envie o seu comentário

Os comentários enviados serão publicados após aprovação. O Brasil Econômico reserva-se o direito de não publicar comentários considerados como ofensivos ou sem ligação alguma ao artigo em questão

outros jornais da EJESA