O Banco Central deverá aumentar a taxa básica da economia mais cedo do que se previa há um mês ou dois. Esta não é uma opinião somente minha. Pergunte a vários economistas ou analistas de mercado e você perceberá que o cenário de alta de juros antes do fim do primeiro semestre é o que se espera.
Esta modalidade de previsão que os economistas fazem costuma apresentar um grau de acerto grande quando comparada com as estimativas que estes mesmos economistas fazem sobre o comportamento do câmbio e da bolsa, por exemplo.
Isto acontece por vários motivos. O primeiro deles é que não está ao alcance do Banco Central fixar uma taxa câmbio. Vivemos num regime de câmbio flutuante, em que as forças de mercado ditam o preço da moeda estrangeira.
Podemos dizer que a flutuação é "suja" pois, de vez em quando, o Banco Central entra no mercado comprando ou vendendo moeda estrangeira, objetivando evitar bruscas mudanças no patamar do câmbio. Utilizando um jargão do mercado, o Banco Central intervém no câmbio de maneira a reduzir a volatilidade.
Felizmente, o câmbio fixo, que no Brasil vigorou até o início de 1999, é uma ideia ultrapassada e que normalmente termina com maxidesvalorizações da moeda local e muita confusão no ambiente econômico.
Ainda que tenha uma flutuação "suja", o regime de câmbio atualmente em vigor no Brasil impede que os economistas tenham um grau de acerto razoável quando o assunto é prever o preço do dólar.
As estimativas para o câmbio para o final do ano com precisão de casas décimas devem ser vistas com muitas ressalvas.
Quando o assunto é controle da inflação, o comportamento do Banco Central do Brasil é bastante previsível. E isso é bom.
Os membros do Copom (Comitê de Política Monetária) têm um firme compromisso de fazer com que a inflação medida pelo IPCA convirja para a meta estabelecida, que para 2010 é de 4,5%.
Os primeiros sinais de que a inflação pode sair do controle são os indícios de uma política monetária mais rígida, fazendo com que o Banco Central interrompa a sequência de quedas da Selic ou até mesmo aumente a taxa básica da economia, contribuindo para o desespero dos setores ditos produtivos.
Com o passar dos anos, economistas e demais analistas de mercado aprenderam a entender como funciona a cabeça dos membros do Copom, de modo que antes mesmo da reunião periódica do comitê, os analistas praticamente já sabem a decisão que haverá sobre os rumos da Selic.
Pois bem, os indícios de que a inflação pode sair da meta existem e o mercado já sabe o remédio que o Copom vai receitar.
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Raphael Paschoarelli é professor de finanças do Departamento de Administração da Universidade de São Paulo
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