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Crescimento de Dilma nas pesquisas e aproximação do prazo para desincompatibilizar elevam pressão para que Serra confirme sua candidatura.
Os últimos avanços da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), sobre o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), nas pesquisas de opinião para as urnas de outubro fizeram crescer a ansiedade dos líderes tucanos e de seus partidos aliados (DEM e PPS) pela oficialização da sua candidatura presidencial.
Para eles, a liderança de Serra nas sondagens e a crítica à campanha antecipada de Dilma, tendo o presidente Lula como maior cabo eleitoral, são agora insuficientes para encarar a realidade de uma corrida cada vez mais polarizada entre os dois pré-candidatos.
Até pela altura do calendário, o cálculo político de Serra e os seus "nervos de aço", na definição dele, deverão sofrer esta semana o maior teste, quando o governador paulista trabalhará para buscar forças em sua própria legenda, por meio de acordo com o colega mineiro Aécio Neves (PSDB).
Os estrategistas veem Minas Gerais como estado decisivo na sucessão de Lula. Por outro lado, efeitos ignorados da transferência de votos de Lula à sua candidata, os percentuais de rejeição e questões como tempo das coligações na campanha pela TV, teria elevado a taxa de risco para Serra.
Carregada de simbolismo, a comemoração quinta-feira, em Belo Horizonte, dos 100 anos de nascimento do ex-presidente Tancredo Neves, é vista como oportunidade para o ninho tucano sanar divergências internas.
Aécio e Serra terão um jantar amanhã para iniciar tenso diálogo que pode terminar no dia seguinte, quando ambos participam do lançamento do Centro Administrativo do governo estadual. Terceiro nas pesquisas para a Presidência, o deputado Ciro Gomes (PSB), era Dilma também são convidados.
A entrega do complexo de prédios assinados por Oscar Niemeyer, maior obra da gestão Aécio, servirá como despedida dele do cargo para se candidatar ao Senado. Mas caciques liderados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ainda esperam convencer o governado a aceitar ser vice e formar a "chapa dos sonhos" com Serra.
"Vice não é novidade para Minas. Dificilmente Aécio aceitaria ser número dois", ressalta o cientista político Alexandre Barros, do Centro Universitário Unieuro (DF). FHC e o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), negam boatos de desistência de Serra, lembrando que ele tem até 2 de abril para se desincompatibilizar.
Em terceiro lugar nas pesquisas, Ciro reafirma a candidatura ao Planalto e aposta na saída de Serra.
O último levantamento do Instituto Datafolha, realizado em 24 e 25 de fevereiro, revelou que os dois principais candidatos à sucessão de Lula estão perto do empate. Serra caiu de 37%, em dezembro, para 32%. E Dilma subiu de 23% para 28%. Os números alimentam as pressões por mais exposição de Serra e insatisfações internas do PSDB crescem junto com os palanques estaduais.
A maior fratura regional até agora veio do Paraná, onde o senador Álvaro Dias perdeu para o prefeito de Curitiba, Beto Richa, a indicação ao governo estadual.
Em paralelo, outros movimentos vêm sendo dados. O primeiro foi a sinalização do PTB, de Roberto Jefferson (RJ) e do ex-presidente Fernando Collor (AL), de apoio à chapa tucana.
O outro foi o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) no banco de reservas para vice de Serra, caso Aécio siga irredutível. A trairia votos do Nordeste e e conteria os ataques de Ciro ao governador paulista.
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