Candidatos a empregos costumam usar o jargão "Estou buscando novos desafios" como se esse fosse a chave para abrir as portas do mercado de trabalho.
Na realidade, o mínimo que a empresa exige do candidato, além de sua qualificação e competências essenciais, é a curiosidade e ousadia. Mas o que é ruim é a própria expressão.
Ao dizer essa frase, o candidato pode passar a impressão de que não tem um objetivo profissional claro e que sua carreira não é importante: qualquer coisa nova pode ser atraente. Revela mais o afã de ser contratado.
Ao contrário, soaria como música aos ouvidos do empregador alguém que dissesse conhecer realmente os desafios da empresa e demonstrar, seja por sua experiência, seja suas qualidades, como poderia contribuir para superá-los.
Poderia ser um desafio para um engenheiro uma vaga no departamento financeiro ou administrativo de uma empresa. Mas seria isso mesmo que o candidato está buscando? É isso mesmo que o candidato, com formação de engenheiro, gostaria de fazer, ou ele preferiria atuar em projetos ou na linha de produção?
Além disso, ele poderia ser questionado se as empresas anteriores, pelas quais o candidato passou, não teriam também desafios à altura de sua competência.
Nas entrevistas, o profissional deve procurar demonstrar, antes de tudo, sua experiência, suas qualidades, seus objetivos profissionais e como poderia contribuir para o crescimento da empresa.
Você deve demonstrar clareza em relação ao emprego, ao cargo ou ao desafio que está buscando, e não passar a ideia de que qualquer atividade ou qualquer desafio o interessaria. Se não puder ser mais específico, talvez ainda não esteja pronto para iniciar o processo de networking.
Aliás, em qualquer processo seletivo, o candidato deve evitar generalidades e jargões que não significam muita coisa para quem está buscando o melhor profissional.
A estratégia mais correta é demonstrar, se possível com exemplos, como está preparado para ocupar aquele cargo. Experiências positivas anteriores são argumentos fortíssimos.
O candidato deve falar dos projetos de que participou, os resultados e sua participação efetiva - aqui, a verdade é fundamental, pois o possível empregador muitas vezes tem condições de checar a veracidade das informações.
Os gestores podem contratar um profissional porque o conhecem ou porque ele foi recomendado por alguém de sua confiança, entre outros motivos, mas uma das razões mais fortes - e que provoca o desempate no caso de candidatos com as mesmas qualidades - é aquela que envolve expectativas futuras.
A vaga será sua se os gestores ou líderes acharem que você tem muito a oferecer para a empresa, em termos de ideias inovadoras, garra, contatos, capacidade de trabalho, informações.
Mas tudo isso deverá estar claro, de forma objetiva e incisiva, em seu currículo e, principalmente, na entrevista durante o processo de seleção. Não basta falar, é preciso convencer.
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Marcelo Mariaca é presidente do conselho de sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School
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