Comunidade
Especialização é voltada a profissionais que estejam empregados e que tenham cinco anos de experiencia.
Em tempos de crise financeira, como a que assolou os Estados Unidos e outros países desenvolvidos em 2009, é muito comum que as pessoas procurem especializações para tentar uma recolocação profissional.
No Brasil, em geral, o movimento é inverso. Mercado de trabalho aquecido, massa salarial aumentada, como ocorre hoje, e as pessoas correm para melhorar o currículo. Mas será que esse investimento é garantia de sucesso?
Para Paulo Lemos, coordenador de Pós-graduação em Lato Sensu e MBA (sigla em inglês para Master in Business Administration), da Fundação Getulio Vargas (FGV), investir em educação é sempre importante, mas não garante e nem acelera uma contratação ou promoção. E outros especialistas concordam com ele.
"As pessoas que procuram o MBA como uma solução para um novo emprego ou para uma promoção dentro da própria empresa estão enganadas", afirma Constantino Cavalheiro, diretor da Catho Educação Executiva. Para Cavalheiro, é importante que o profissional invista sim em conhecimento e o MBA é um meio para isso.
Tempo certo
A grande ressalva dos especialistas é que o MBA não é para recém-formados, que normalmente nem passam pelo processo seletivo. Esses devem optar por cursos de pós-graduação convencionais ou mesmo especializações.
"Essa confusão se deve à maneira pela qual o Ministério da Educação e Cultura (MEC) classifica as especializações no Brasil", afirma Lemos. Diferentemente dos Estados Unidos e da Europa, onde existem alguns cursos de MBA voltados a jovens, as escolas brasileiras exigem experiência mínima de cinco anos.
Para ter retorno
Além de vontade, é preciso cacife para apostar em uma especialização. Nas principais instituições brasileiras, como FGV, Fundação Dom Cabral (FDC) e Ibmec, os cursos com duração de 18 meses não saem por menos de R$ 18 mil. "O investimento não é barato e é preciso ter uma bagagem para aproveitá-lo", diz Lemos, ressaltando a necessidade da experiência profissional para haver melhor aproveitamento do curso.
Na FDC, um MBA em finanças pode custar R$ 48 mil. São seis módulos e cada um acontece em uma semana e entre eles existe um recesso de três meses.
"Recomendamos que, entre os módulos, o aluno dedique 15 horas semanais para estudo e elaboração dos exercícios", afirma Érica Alves, responsável pelo relacionamento com o aluno. Ela adverte que não se trata de um sistema de ensino a distância, mas sim um contato virtual entre alunos e professores. "É uma troca de experiências", afirma.
É justamente isso que, segundo Lemos, ganha importância para uma recolocação. "Mais do que o curso em si, os contatos que são feitos em uma sala de MBA são fundamentais para se conseguir uma recolocação". De acordo com ele, o que se aprende no MBA demora um pouco para ser absorvido e colocado em prática. E o aluno deve saber que o retorno não é imediato.
Mesmo com valores tão altos, as vagas nos cursos mais conceituados do país são bastante concorridas. É preciso ter proficiência na língua inglesa, cinco anos de experiência profissional, cartas de recomendação e vínculo empregatício.
Vencidas as exigências, o importante é não esquecer de trocar cartão. Cavalheiro relembra que o contato com colegas é o meio mais seguro de saber de novas vagas e até de receber uma indicação.
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Muito bom o artigo. De fato, às vezes nos afobamos em apresentar um bom curriculo e esquecemos do caminho necessário para se chegar a esse fim. Ou seja, é preciso dosar experiência e capacitação profissional para tentar se despontar no mercado de trabalho, sem perder tempo, dinheiro e oportunidades. O artigo me ajudou a ver isso. Obrigado!