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Estratégia

Indústria nacional quer aumentar vendas à Petrobras

Ricardo Rego Monteiro   (rmonteiro@brasileconomico.com.br) | Correspondente do Brasil Econômico no Rio de Janeiro
01/07/10 13:35


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O novo Plano de Negócios da Petrobras, que prevê investimentos de US$ 224 bilhões (R$ 404,9 bilhões) entre 2010 e 2014, deve resultar em baixa contratação de máquinas e equipamentos nacionais.

Embora esteja prevista elevação do indicador no novo plano, de 60% para 67% em média, a indústria reclama que o setor será contemplado com parcela bem menor, limitada a 25% do total.

"A maior parte do conteúdo nacional é contabilizada por serviços, que geram menos emprego e agregam menos tecnologia do que a indústria de máquinas e equipamentos", afirma o diretor de Petróleo, Gás, Biocombustíveis e Petroquímica da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Alberto Machado.

Embora a própria Abimaq admita que a participação da indústria nacional tende a aumentar, nos próximos cinco anos, com a atração de grupos estrangeiros interessados no pré-sal, a entidade encaminhou à Petrobras e ao Ministério de Minas e Energia uma proposta que visa a acelerar o crescimento dessa participação o mais rápido possível.

A entidade sugere contabilizar o conteúdo nacional por item incluído nos projetos, e não mais globalmente, sobre o valor do investimento.

Essas e outras medidas, de acordo com Machado, contribuiriam para elevar a participação da indústria de máquinas nos empreendimentos do setor nos próximos anos.

"Há espaço para aumentar em pelo menos US$ 9 bilhões por ano as vendas de nossa indústria para os projetos da Petrobras", afirma Machado, ao lembrar que, hoje, a participação se limita a US$ 3 bilhões anuais, em média.

Do total de investimentos previstos, US$ 212 bilhões devem ser gastos no Brasil - o que representa desembolso anual de US$ 42,4 bilhões (R$ 76,6 bilhões).

Segundo o Plano de Negócios, cerca de US$ 28,4 bilhões deverão ser desembolsados para contratação de bens e serviços no país. O plano anterior (2009-2013) previa desembolso de US$ 20 bilhões por ano.

O problema, ressalta a Abimaq, é que, dos US$ 28,4 bilhões, metade equivale a serviços. A outra metade é para máquinas e equipamentos, desde que cumprida a exigência de preços competitivos - mais baixos que no exterior.

Devido ao velho binômio custo brasil e alto custo de capital, os fornecedores nacionais não conseguem cumprir a exigência da estatal.

Por meio de medidas pontuais, já tentadas em outras ocasiões, como redução de impostos, a Abimaq acredita na possibilidade de incremento gradual das vendas para, pelo menos, US$ 12 bilhões.

Machado acredita que a melhora pode ocorrer paralelamente ao desenvolvimento dos projetos do pré-sal.

A discussão, afirma, precisa ser estendida aos chamados epecistas - da sigla EPC em inglês para empresas terceirizadas responsáveis pelo gerenciamento dos projetos.

Eles são contratados justamente para conferir maior agilidade às obras, em empreendimentos mais complexos e de maior porte, como plataformas offshore e refinarias.

"Ao conferir a responsabilidade do gerenciamento dos projetos aos epecistas, a Petrobras perde o controle sobre o processo de compras. Com isso, muitos equipamentos que poderiam ser adquiridos no Brasil, são encomendados no exterior.

De uma plataforma, exemplifica Machado, a Petrobras geralmente fica responsável pela contratação direta dos equipamentos da operação submersa. Boa parte do maquinário embarcado, instalado sobre o casco da unidade, é contratada pelos epecistas. "Esse tipo de equipamento é mais contratado no exterior."


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