Você já deve ter ouvido falar em PDCA, uma das ferramentas de gestão mais conhecidas no meio empresarial.
O método consiste em sistematizar a gestão a partir da sequência de passos: planejamento, execução, verificação e ação (plan, do, act e check, em inglês). E o contexto no qual ela foi desenvolvida - no auge do movimento da qualidade - define sua aplicação.
O fato é que a inovação, que surge em ocasiões marcadas por ambiguidades, incertezas e riscos, demanda novas perspectivas e práticas de gestão. Em um projeto cotidiano, comum, as incertezas e os riscos são facilmente identificáveis, as variáveis centrais são controláveis e os resultados potenciais, conhecidos.
Por outro lado, os projetos com potencial inovador são apostas no futuro. Neles, ferramentas como fluxo de caixa descontado, Seis Sigma e 5W2H não funcionam, pois se baseiam na estabilidade do ambiente, enquanto que as iniciativas inovadoras lidam com incertezas.
Em casos assim, o modelo pesquisa-análise-implementação precisa ser transformada em experimentação-descoberta-aprendizado. Quando o grau de incerteza é alto, é necessário sistematizar um método de aprendizado sobre o desconhecido.
Para nós, o processo de inovação apresenta quatro fases: idealização, conceituação, experimentação e implementação. Por isso, nós o denominamos ICEI.
Se "planejar, executar, verificar e agir" traduzem com maestria os passos necessários para gerir qualidade, "idealizar, conceituar, experimentar e implementar" são os fundamentos da gestão da inovação.
A idealização é a fase criativa, de geração de insights. Algumas empresas a conduzem definindo temáticas que conectam a estratégia corporativa com ideias potencialmente inovadoras.
A idealização pode ocorrer espontaneamente, mas também de forma induzida, a partir de brainstormings.
Mas os conceitos inovadoras não nascem prontos. Pesquisas indicam que 95% das ideias que se transformam em inovações diferem das que foram originalmente proposta.
A conceituação consiste em recorrer à colaboração de terceiros para ampliar o potencial de um insight.
A experimentação, por sua vez, pode ajudar a lidar com incertezas e também acelerar a criação da estratégia de sucesso.
É que quando o contexto é imprevisível e as informações, escassas, a tomada de decisão torna-se muito mais difícil.
Nessa situação, os gestores precisam descobrir (o mais rápido possível) sobre quais são apostas estratégicas e como fazê-las.
A última fase do processo de inovação é a implementação. Reduzidas as incertezas, é hora de seguir adiante e acelerar a expansão da nova ideia, produto, processo ou modelo de negócio.
Essa fase demanda atenção às técnicas mais comuns de execução de projetos: escopo, prazos, cronograma e gestão de pessoas.
A melhoria dos resultados depende da eficácia com que cada uma das fases acima são geridas.
Se a busca pela competitividade passa pelo desenvolvimento de produtos, processos ou serviços diferenciados, a compreensão das singularidades da gestão da inovação pode facilitar a escolha e aplicação das ferramentas adequadas.
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Maximiliano Carlomagno é sócio-fundador da Innoscience e autor do livro Gestão da Inovação na Prática
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