Ranking
| Investimento | (em % no mês) | ano |
| Ibovespa | 11,49 | -15,82 | CDB | 0,89 | 9,49 |
| CDI | 0,88 | 9,65 | Poupança | 0,56 | 6,22 |
| Ouro | -4,49 | 14,02 | US$ (Ptax) | -8,95 | 0,58 |
| IGP-M | 0,53 | 4,70 | Renda Fixa | 1,02 | 10,44 |
| Referenciado DI | 0,96 | 9,91 | Multimercados | 1,40 | 7,93 |
| Curto Prazo | 0,93 | 9,65 | Ações Livre | 4,11 | -2,70 |
O ouro, que foi o investimento favorito do investidor durante boa parte do ano, também mostrou fragilidade
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Comunidade
Após amargar sucessivas baixas ao longo de 2011, o principal índice de ações do país alcançou valorização mensal de 11,49%.
Foram poucas as vezes neste ano em que os investidores do mercado de ações puderam comemorar.
Queda das principais ações que compõem o Ibovespa, seguida por uma forte turbulência internacional, se traduziram em perdas profundas ao principal índice acionário nacional.
Primeiro, foi a vez das ações da Petrobras derrubarem o Ibovespa. Uma interpretação de ingerência política sobre a companhia levou os papéis abaixo.
As ações preferenciais da estatal caíram 9,77% em abril e mais 5,11% em maio. No ano, a queda acumulada é de 19,71%. No caso das ordinárias, a desvalorização chega a 22,59%.
A partir de maio, o dilema ficou em torno da Vale. A substituição de Roger Agnelli da presidência da mineradora com rumores de intervenções do governo na gestão da empresa trouxeram perdas ao papel.
Desde o começo do ano, foram apenas três meses de saldo positivo para as ações da mineradora. As preferenciais acumulam perdas de 9,94% no ano, enquanto as ordinárias perdem 15,91%.
Os Estados Unidos e a Europa cuidaram do restante do ano. A crise da elevação do teto da dívida americana e as idas e vindas em torno da dívida soberana dos países da periferia do euro chacoalharam o mercado mundial.
A ameaça de calote grego, que perdurou até a última semana, não deixou o investidor operar tranquilo. No ano, a desvalorização do principal índice acionário nacional ainda é de 15,82%.
No entanto, foi na última semana que as nuvens negras parecem ter saído de cima do mercado de capitais brasileiro. Após acumular alta de 7,71% nos cinco pregões entre segunda-feira (24/10) e sexta-feira (28/10), o Ibovespa alcança a posição de melhor investimento do mês de outubro, com valorização de 11,49%.
Essa alta do final do mês vem justamente da expectativa de dissolução da tragédia grega - ou pelo menos do surgimento de um novo horizonte para ela.
"Antes da semana passada o índice vinha com altas menos relevantes, já embasadas na possibilidade de uma reestruturação do fundo de resgate da Zona do Euro", lembra Fernando Góes, analista do Rico, home broker da Octo Investimentos.
"O mercado vive mais de expectativas que de fatos propriamente."
Daqui para frente, a proximidade com o final do ano somada a uma solução temporária ao quadro europeu deve trazer a bolsa para território positivo.
"Se não houver mais nenhuma deterioração no mercado externo, o cenário com o que trabalhamos é de melhora nos próximos meses."
Para que o noticiário se acalme de uma vez por todas, Pedro Galdi, analista-chefe da SLW, entende que é fundamental que outros países passem a compor o fundo de reestruturação do velho continente, demanda já manifestada pelo Banco Central Europeu.
Galdi trabalha com um encerramento de 2011 em cerca de 65 mil pontos. São dois meses para agregarmos mais sete mil pontos ao principal índice acionário nacional. "A perspectiva é positiva."
Câmbio, ouro e fuga de riscos
A moeda americana também trouxe seus solavancos ao longo deste ano. Depois da forte queda do dólar frente ao real - a qual, vale lembrar, tirou o sono de Banco Central e do Ministério da Fazenda -, as perdas foram revertidas. No acumulado do ano, já se registra um tímido ganho de 0,58%.
No entanto, em outubro a desvalorização foi de 8,95%, o que aponta para um patamar ainda superior em setembro.
"O fluxo cambial foi mais forte e significativo que a aversão ao risco diante da turbulência europeia", lembra Ítalo Abucater dos Santos, gerente da mesa de câmbio da Icap Brasil.
Com o cenário externo deteriorado e o Brasil supostamente protegido contra a crise, a entrada de capital no país beirou o incontrolável.
Para Santos, essa desvalorização da moeda em outubro deve ser compensada, ao menos em parte no próximo mês. Com governo atuando diretamente na cena cambial e as mudanças patentes no contexto mundial, a tendência segue de valorização da moeda.
"Com esse fluxo positivo neste mês, acaba sobrando muita gordura para queimar", reitera.
O ouro, que foi o investimento favorito do investidor durante boa parte do ano, também mostrou fragilidade no décimo mês do ano. A desvalorização foi de 4,49%.
No entanto, o clima de incerteza durante ao longo do ano ainda é imponente sobre a operação do metal. A valorização acumulada até setembro ainda é de 14,02%.
No mesmo sentido caminham os investimentos em renda fixa, que acumulam valorização de 10,44% em 2011. No mês, no entanto, o investimento não perdeu valor, chegando a alta de 1,02%.
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