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Educação

Giz privado risca quadro-negro da escola pública

Conrado Mazzoni   (cmazzoni@brasileconomico.com.br)
31/07/10 07:08


Em algum momento, escola e empresário precisarão seguir cada um seu caminho

Em algum momento, escola e empresário precisarão seguir cada um seu caminho

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O desafio gigantesco da educação no país ganharia contornos mais críticos sem o apoio da sociedade.

Esta percepção ocorreu a um grupo de empresários há mais ou menos cinco anos e eles, inspirados na experiência de Jayme Garfinkel na Escola Estadual Etelvina de Goés Marcucci, na comunidade Paraisópolis, há 19 anos, e liderados por Jair Ribeiro, resolveram colocar a mão na massa.

Literalmente, valorizar aqueles que pegam no giz na rede pública de ensino do estado de São Paulo.

Os resultados das escolas adotadas pela Associação Parceiros da Educação provam o êxito dessa iniciativa junto à formação dos professores.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), alusivo a 2009, mostrou que 92,3% das escolas parceiras pertencentes ao ciclo I (1º ao 5º ano) apresentaram índice acima da média nacional (4,6). No caso do ciclo II (6º ao 9º ano), foram 52,9% do total.

Para se chegar a essas notas, há algumas etapas. A parceria ocorre a partir das necessidades da escolas, definidas junto com à direção e aos professores.

Cadastradas na Associação, elas aguardam serem selecionadas pelos empresários. Estes, por sua vez, se comprometem com um trabalho de ao menos cinco anos, com investimentos que variam entre R$ 100 mil e R$ 200 mil ao ano.

Inicialmente, a verba costuma ser direcionada à infraestrutura, uma forma de mostrar um cartão de apresentação e sedimentar um processo de confiança. Depois, o mais importante: o apoio pedagógico. Cursos de especialização em língua portuguesa, matemática, entre outros são oferecidos aos docentes, bem como um reforço escolar aos alunos.

"A prioridade é fazer uma avaliação dos alunos, porque percebemos que estão muito atrasados em termos de aproveitamento, e muitos nem são alfabetizados", afirma Lúcia Fávero, diretora executiva da Associação.

Dessa forma, é possível identificar os principais problemas para organizar o investimento na pedagogia.

Hoje, são 90 escolas atendidas e a meta é chegar a 160 ao fim do ano.

Se os cursos atraem bons professores e reduzem a rotatividade, melhorias nas salas de informática e de leitura desempenham papel importante para tornar a escola mais atrativa e mitigar a evasão.

Um exemplo é a Escola Estadual Francisco Fusco, no Campo Limpo, que tem como parceiro o Grupo ABC, de Nizan Guanaes, desde 2006.

Em 2007, o índice de evasão dos ensinos fundamental e médio passava de 10%. Hoje está abaixo de 2%. O saldo no Ideb subiu de 3,2 para 4,2.

"A escola era o patinho feio do bairro. Está situada no entorno de quatro favelas, possuía esgoto a céu aberto. Ema dia de chuva, chovia dentro da sala, parava a aula. Ele reformou tudo, colocou um ambiente enorme de informática, está implantando lousa interativa, e os alunos começaram a ter aulas diferentes. É assustadora a melhora", diz Lúcia.

A parceria precisa de quatro braços. "A diretoria da escola faz a diferença. Os dois lados precisam estar interessados", lembra Ana Maria Diniz, coordenadora da Associação.


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