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Thaís Costa

Gangorra de interesses e busca de equilíbrio

12/07/10 07:09 | Thaís Costa - Editora Executiva do Brasil Econômico



Pelo andar da carruagem, não se espera nenhum avanço no imbróglio envolvendo a Telefónica e a Portugal Telecom nos próximos dias. Até sexta-feira desta semana, data em que expira o prazo de validade da última proposta da Telefónica de compra da participação da PT na Vivo, por € 7,15 bilhões, a operadora espanhola simplesmente poderá soltar um comunicado ao mercado estendendo esse prazo.

Há que se dar tempo ao tempo.A questão deixou de ser meramente negocial entre empresas que pertencem a um mesmo bloco econômico e passou ao âmbito dos governos.

Depois de usar a golden share para impedir a venda, o primeiro-ministro José Sócrates, de Portugal, manteve contato com seu par José Zapatero, da Espanha. E desse encontro resultou uma forte pressão para que ambas as operadoras busquem uma solução que acomode os vários interesses envolvidos.

O governo de Portugal mostrou que faz questão de ser considerado. Ele acredita que manter um ativo importante no setor de telecomunicações do Brasil é estratégico e, ainda que a Comunidade Europeia não esteja de acordo, não vai poupar esforços nesse sentido.

Esse ativo não precisa ser necessariamente a Vivo, que interessa tanto à Telefónica. Pode ser outro, mas essa alternativa ainda não foi contemplada.

A pressa e a agressividade ostentadas pela Telefónica, que desconsiderou o desejo expresso do governo português, não produziram os efeitos esperados e acabou criando uma "saia justa" entre os países.

A recente abertura do diálogo entre as duas empresas, solicitada pelos governos e divulgada por comunicado ao mercado, é a novidade que faz a diferença.

Não está descartada a possibilidade de haver um acordo operacional entre Vivo e Telesp, para que se possa avançar na oferta de pacotes de serviços convergentes aos consumidores.

Quanto à repercussão disso na participação acionária, são outros quinhentos. Reduzir a fatia da PT para 30% na nova operadora pode não significar uma negociação equilibrada, daquelas que trazem benefícios para ambos os lados.

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Thaís Costa é editora executiva do Brasil Econômico


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