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Investimentos

Fundos que aplicam em um único papel perdem espaço

Gustavo Kahil   (gkahil@brasileconomico.com.br)
13/03/10 07:14


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A captação líquida dos fundos de investimentos que aplicam exclusivamente em um único papel, como os de Vale e Petrobras, tem perdido espaço dentro da indústria financeira.

Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram uma queda de aproximadamente R$ 500 milhões no Patrimônio Líquido (PL) nos produtos "Ações Setoriais /Priv. Petrobras - Rec. Próprios e Ações Setoriais /Priv. Vale - Rec. Próprios" em 12 meses.

No mesmo período, a captação líquida no item "Ações Livre" chegou a R$ 9,5 bilhões.

Esses tipos de fundos cobram uma taxa de administração para, basicamente, operarem apenas um papel, o que o torna muito mais caro do que o posicionamento direto em bolsa.

"Se a ideia é ficar com as ações por muitos anos, é melhor comprar pelo homebroker. Assim, você paga apenas a corretagem na venda e na compra. Por que pagar 2% ao ano, por exemplo, fundos desse tipo?

As pessoas desconhecem que a outra opção é mais barata", questiona o sócio da M2 Investimentos, Luiz Gustavo Medina. A taxa de administração desses fundos varia entre 0,38% e 3%.

Educação Financeira

Não há uma resposta que justifique o motivo exato pelo qual a captação está em queda. Mas parte pode estar no aumento da educação financeira da população brasileira e da ideia de que investir em ações conhecidas por meio de fundos não é mais vantajoso do que aplicar diretamente na bolsa.

É crescente o interesse de pessoas físicas que estão partindo para a construção de uma carteira própria. No início de 2007, cerca 224 mil pessoas tinham contas na BM&FBovespa. O número saltou para 558 mil em fevereiro.

"É uma grande falta de conhecimento aportar em um fundo que acompanha apenas uma ação. À medida que o investidor fica mais atento, pode deixar de tomar atitudes desse tipo", explica o sócio da Tag Investimentos, Marcelo Pereira.

Medina lembra que há uma geração de pessoas que tem o perfil desse tipo de fundo e que nunca entrou em bolsa. "Ele ainda não sabe investir na bolsa", diz o sócio da M2.

Desempenho

Outro motivo que pode explicar a queda no PL é o desempenho das ações da Vale e Petrobras, que tem ficado abaixo da média do mercado.

"Nos últimos dois anos, eles perderam para o Ibovespa. O investidor de fundo tende a ir atrás muito da rentabilidade histórica. Nos últimos 12 meses, o de ações Livre tem ficado acima", analisa o consultor de investimentos Raphael Cordeiro.

Ele lembra também as incertezas em relação ao processo de capitalização da Petrobras para exploração do pré-sal. A maneira com a qual ela será realizada poderá ser desfavorável aos acionistas minoritários da estatal.

"O investidor está muito inseguro com o processo de capitalização. Nos últimos seis meses, a ação teve um desempenho fraco", indica o especialista. Cordeiro destaca também que o conceito de aplicar em fundos é diversificar os investimentos com a ajuda de um gestor.

"Além disso, não existe a vantagem tributária de isenção de IR para os dividendos", diz.


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