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Análise

Expansão do crédito não deve preocupar

Ana Luísa Westphalen   (awestphalen@brasileconomico.com.br)
23/04/10 12:46


Para Luis Miguel Santacreu, da Austin Rating, crédito não representa perigo

Para Luis Miguel Santacreu, da Austin Rating, crédito não representa perigo

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Os sinais de que a demanda interna brasileira está aquecida, com vendas do varejo acima das expectativas e índice de confiança do consumidor em nível elevado, estão levando os bancos a expandirem suas carteiras de crédito ao consumidor.

De acordo com estimativas da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), o volume de concessão a pessoa jurídica deve registrar elevação de até 18% em 2010.

Se por um lado um aumento desenfreado do crédito traz receio de pressão inflacionária à economia e elevação dos níveis de inadimplência, conforme alertou nesta semana o Fundo Monetário Internacional (FMI), por outro, os bancos brasileiros estão "vacinados" após a crise financeira internacional.

A avaliação é do analista financeiro da Austin Rating Luis Miguel Santracreu. Ele considera que, por enquanto, esse aumento na concessão de crédito não representa um risco para o setor. "Os bancos estão bem pontuados, têm consciência de que com crédito não se brinca."

O diretor do Banco Itaú Unibanco, Marcos Vanderlei, acredita que a concessão de crédito deve retomar o patamar de 2008 já este ano, e, segundo ele, ainda há muito espaço para crescer, sobretudo no setor imobiliário. Nesse cenário, o principal desafio dos bancos será descobrir como maximizar a rentabilidade sem comprometer a gestão de risco, avalia.

Segundo dados da Ativa Corretora, o Banco do Brasil pretende expandir entre 27% e 32% a carteira de crédito ao consumidor em 2010; o Itaú Unibanco, entre 16% e 17%; e o Bradesco entre 16% e 20%. A Caixa Econômica Federal (CEF) e o Santander projetam elevação de 33% e 20%, respectivamente, da carteira de crédito total (incluindo pessoa física e jurídica).

Mas essas estimativas podem mudar facilmente em caso de piora do cenário econômico, pondera Santacreu. Ele avalia que os bancos têm memória curta e são muito pró-ativos, e não hesitarão em eventualmente reduzir a atividade de crédito, caso seja necessário.

Na avaliação do ex-presidente do Banco Central (BC) Affonso Celso Pastore, os bancos "tiveram a sorte de terem o azar" de terem vivenciado crises anteriores à do ano passado, o que teria garantido às instituições financeiras experiência para lidar com crédito.

Além disso, o BC tem se mostrado atento à condução da política monetária para conter o risco inflacionário, salienta Santacreu. Para ele, o Brasil adquiriu uma "disciplina inflacionária", e mesmo com o aumento do acesso ao crédito não deve haver um descontrole substancial.

Com o fim dos incentivos fiscais anunciados pelo governo desde o ano passado, ao longo dos próximos meses a tendência do consumo é diminuir, acreditam os economistas. Atualmente, o único setor que mantém redução do Imposto Sobre Produto Industrializado (IPI) é o de materiais de construção, prorrogada até outubro. Os benefícios sobre automóveis, móveis e eletrodomésticos da linha branca já foram extintos e não devem ser retomados.

Inadimplência

O nível de endividamento do consumidor brasileiro deve aumentar a partir do segundo semestre do ano, prevê a Serasa Experian. Além do provável ciclo de aumento da Selic, o economista da empresa Luiz Rabi atrela a elevação do endividamento ao acesso ao crédito de consumidores das classes C, D e E, que têm perfil de risco maior.

Apesar de o crédito incorporar maior risco à economia, ele pondera que a projeção de alta da inadimplência ainda não é alarmante, embora sempre inspire cautela. Rabi projeta que o nível de endividamento, atualmente em 7,2%, caia a 6% até o início do segundo semestre, e depois desenvolva trajetória de alta, encerrando o ano entre 6,5% e 7%


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