A forte recessão que abateu os EUA no ano passado, em meio à crise econômica global, fez a participação da América do Norte na receita total da Embraer cair de mais de 40% em 2008 para 23% em 2009.
"O mercado americano continua sendo muito importante para a Embraer, mas infelizmente entrou numa crise severa. A relação entre PIB e o nosso negócio é muito forte", afirmou o vice-presidente financeiro da fabricante de aviões, Luiz Carlos Aguiar, em teleconferência com jornalistas nesta sexta-feira (19).
O executivo prevê uma retomada gradual de encomendas dos EUA, mas não suficiente para que o país volte a representar de 70% a 75% do faturamento da Embraer, como alguns anos atrás.
Isso não apenas em função das condições do mercado nos EUA, onde as companhias aéreas tiveram prejuízo combinado de US$ 9 bilhões em 2009, segundo Aguiar, mas também pelo esforço de diversificação geográfica da Embraer, terceira maior fabricante mundial de aviões comerciais.
"Desde 2000, 2001 a Embraer foi para Cingapura, China e vários outros países... Nossos produtos foram muito bem aceitos na Ásia, América Latina e Oriente Médio", disse ele, referindo-se à família de jatos de 100 a 118 lugares.
"Conseguimos diversificar o risco e aumentar a demanda", afirmou, acrescentando que, de qualquer modo, "o mercado americano continua muito importante".
Sinal da fraqueza dos EUA é a situação da Mesa Air, cliente da Embraer que pediu concordata no início de janeiro.
Por garantias prestadas aos bancos que financiaram a compra de 36 aeronaves da Embraer pela Mesa Air, a fabricante já tinha reservas de US$ 74,4 milhões separadas do caixa para fazer frente a potenciais compromissos em caso de inadimplência da companhia aérea.
Diante da concordata, a Embraer lançou uma provisão de US$ 103 milhões, que reduziu o Ebit (sigla em inglês para lucro antes de juros e impostos) da empresa em 2009 pelo padrão contábil US Gaap.
"Isso é um processo longo, existe um contrato com financiador, existe um processo judicial correndo", afirmou Aguiar ao ser questionado sobre a situação da Mesa Air.
Sobre o mercado aéreo global, o executivo disse que a Embraer não teve nos últimos meses solicitações de cancelamento de pedidos ou postergação de entregas, como ocorrido na primeira metade de 2009.
A Embraer mantém a visão de que uma recuperação mais forte do setor aéreo mundial ocorrerá apenas em meados de 2011, embora acredite que em 2010 conseguirá fechar mais novas encomendas do que no ano passado.
A carteira de pedidos firmes da Embraer terminou dezembro em US$ 16,6 bilhões, o que representa cerca de 3,3 anos de receita. No final de 2009, a carteira era de US$ 20,9 bilhões.
Na noite de quinta-feira, a Embraer divulgou lucro líquido de US$ 167,5 milhões no quarto trimestre, revertendo o prejuízo de um ano antes, apesar da queda de 32,4% da receita na comparação entre os dois períodos.
A linha final do resultado pelas regras contábeis brasileiras foi consequência de créditos tributários, pelo impacto do efeito da variação cambial sobre os estoques da companhia.
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